O Relatório de Tendências do Turismo de Luxo na América Latina 2026 da ILTM e do Panrotas destaca a Nostalgia Travel, onde o deslocamento deixa de ser só parte da viagem e se torna a motivação dela. A nova tendência é um resgate a eras em que o trajeto era tão importante quanto o destino, sendo impulsionada por grandes marcas da hotelaria de luxo. Trens e cruzeiros surgem como “vilas flutuantes e sobre os trilhos” preferidas de quem procura história e exclusividade.
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A pesquisa aponta que 90% dos viajantes premium buscam hoje um mergulho profundo em história e cultura. Mais do que ostentação, o cliente busca o que o relatório chama de legacy moments: experiências desenhadas para serem compartilhadas entre gerações. Dados da Virtuoso reforçam essa tese, mostrando que 53% desse público planeja viagens multigeracionais.
O Amadeus Travel Trends 2025 chama de new heydays a combinação entre nostalgia e busca por experiências emocionais e significativas. Relatórios da Business of Fashion com a McKinsey mostram que referências como as antigas viagens de trem voltam como estética de luxo e lifestyle, não só no turismo. O potencial econômico é alto: o turismo de patrimônio, avaliado em US$ 604 bilhões em 2024, deve chegar a US$ 778 bilhões até 2030, com crescimento anual de 4,5%. A principal mensagem é que a herança cultural deixou de ser apenas memória e passou a ser um ativo estratégico.
“O turismo é um mercado muito interessante porque ele reflete tudo o que a sociedade prioriza, se as pessoas querem viajar para celebrar sua herança cultural, observem que esse conceito vai aparecer em outros debates, em outros mercados, em toda parte. Os seres humanos viajam, somos nômades por natureza, então observar o que estamos buscando é entender nossa prioridade como humanidade”, explica Simon Mayle, diretor da ILTM Latin America.
Glamour dos trens
O trem retorna como símbolo do glamour recontextualizado com uma estética viva, curada por grandes conglomerados do luxo global.
Sob a curadoria de gigantes como Accor e LVMH, o Orient Express renasce como ícone global. A Belmond, também parte do grupo LVMH, preserva e reinventa seus trens lendários – do Venice Simplon-Orient-Express ao Royal Scotsman, do Eastern & Oriental Express ao novo Britannic Explorer. As cabines-suítes revestidas em madeira, bares em veludo azul, lounges art déco e menus assinados por chefs estrelados compõem uma experiência cinematográfica. Mas o luxo vai além da estética: inclui isolamento acústico de última geração, sustentabilidade operacional e design autoral.
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O retorno aos trens é também retorno ao tempo, ao prazer da jornada, ao ritual do embarque, ao vestir-se para o jantar no vagão-restaurante. As rotas de trem de luxo revelam um renascimento sofisticado dos grandes itinerários ferroviários globais: do Venice Simplon-Orient-Express (VSOE), que cruza capitais europeias em vagões Art Déco restaurados, ao retorno da rota clássica entre Paris e Istambul previsto para 2026; do italiano La Dolce Vita Orient Express, conectando Roma à Toscana, Sicília, Veneza e Portofino, ao novo Britannic Explorer, primeiro luxury sleeper a atravessar Inglaterra e País de Gales; passando ainda pelo Royal Scotsman nas Highlands escocesas, pelo Eastern & Oriental Express na Ásia e pelos icônicos Andean Explorer e Hiram Bingham no Peru, que percorrem Cusco, Lago Titicaca e Arequipa até Machu Picchu. O atual portfólio dessas jornadas sobre trilhos alia herança histórica, design autoral, gastronomia estrelada e paisagens culturalmente emblemáticas, consolidando os trens como palco central do novo luxo nostálgico.
Cruzeiros exclusivos
Paralelamente, cresce a demanda por navios menores e cruzeiros fluviais exclusivos, que combinam herança cultural, tecnologia de ponta e sustentabilidade. O relatório confirma que, entre os meios de transporte preferenciais nas viagens de luxo vendidas nos últimos seis meses, trem e cruzeiros aparecem com a mesma porcentagem de preferência, dado que consolida esse movimento e reposiciona mares e rios no centro do turismo premium. Simon aponta que a resistência do público de luxo aos navios está caindo, especialmente pela conveniência de “conhecer vários destinos sem precisar trocar de hotel”.
A tendência privilegia cruzeiros boutique com navios de menor porte, experiências altamente personalizadas, gastronomia regional autoral, rotas culturalmente expressivas conectadas aos valores das comunidades locais, além de tecnologia limpa e propulsão híbrida. A Explora Journeys reposiciona o glamour contemporâneo com suítes amplas voltadas para o mar, design europeu sofisticado e forte foco em bem-estar; a Ritz-Carlton Yacht Collection traduz o conceito de iate privado com serviço ultrapersonalizado, atmosfera residencial e itinerários que priorizam portos seletivos. Nesse contexto, o Orient Express Corinthian, previsto para 2026 sob a chancela da Accor em parceria com a LVMH, será o maior veleiro de luxo do mundo, com apenas 54 suítes, incluindo uma presidencial de 1.200 m², unindo engenharia sustentável ao glamour atemporal da Riviera Francesa, com itinerários que têm como destaque ancoragens em portos raros e destinos superexclusivos.
Cruzeiros fluviais estão entre as tendências que mais crescem. Segundo o Relatório de Tendências do Turismo de Luxo na América Latina 2026 da ILTM e do Panrotas, mais de 50% dos viajantes brasileiros de luxo afirmam considerar uma viagem em cruzeiros fluviais. Nos rios europeus, marcas como a Belmond, com seus Les Bateaux, consolidam o conceito de slow travel fluvial, navegando por Champagne, Borgonha e Provence como se fossem vilas privadas flutuantes. Ainda nessa tendência de expansão qualificada, a AmaWaterways está lançando sete novas embarcações entre 2025 e 2027, ampliando sua presença em rotas pela Europa, Ásia, África, Egito e Colômbia. A companhia também fortalece sua atuação com cruzeiros exclusivos voltados ao público brasileiro por meio do AmaBrasil, apostando na excelência em serviço, inovação constante e em viajantes que valorizam conforto, sofisticação, imersão cultural e atendimento altamente personalizado.
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As tendências nos mostram que o turismo de luxo caminha para um território mais profundo, onde herança, identidade e continuidade substituem a lógica da ostentação imediata. O Heritage Travel, em sua versão brasileira, mostra que viajar é também um ato de reconexão com raízes familiares, com matrizes culturais como Itália, Portugal e Japão e com histórias que moldaram saberes, sabores e modos de vida. Ao mesmo tempo, o movimento de Reviver o Glamour demonstra que o passado não é estático: ele é reinterpretado com tecnologia de ponta, design sofisticado e hospitalidade de excelência, seja em trens lendários, iates intimistas, grand hôtels históricos ou itinerários que privilegiam o slow travel. Das cidades onde o patrimônio ainda respira às paisagens de natureza intensa, da gastronomia celebrada aos marcos arquitetônicos e arqueológicos, o luxo contemporâneo reafirma que o verdadeiro diferencial está na autenticidade, na imersão cultural e na experiência que atravessa gerações. O que as tendências apontam é claro, o futuro do turismo de luxo será cada vez mais orientado por significado, legado e tempo investido em jornadas que unem memória e inovação e transformam cada viagem em patrimônio vivo, finaliza Simon.
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