Tiradentes é conhecida por seu casario colonial e gastronomia refinada, mas entre os dias 11 e 15 de março, a cidade mineira ganha um novo contorno visual. A 15ª edição do Festival de Fotografia de Tiradentes transforma o destino em uma imensa galeria, oferecendo aos visitantes uma programação inteiramente gratuita que conecta o passado barroco à vanguarda da imagem contemporânea.
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As exibições apresentam artistas brasileiros e estrangeiros, com obras que abordam temas como meio ambiente, memória, identidade, religiosidade, cultura e território. O público poderá conferir trabalhos individuais e coletivos, que exploram diferentes abordagens da linguagem fotográfica, do documental ao experimental. A programação completa está disponível no site oficial do evento.
Centro Cultural Yves Alves
A jornada fotográfica pode começar pelo Centro Cultural Yves Alves, localizado na Rua Direita, 168. Até o dia 5 de abril, o espaço abriga a mostra MundoFloresta, com curadoria de João Castilho e Pedro David e assistência de Gabriela Sá. Partindo do romance Floresta é o Nome do Mundo (1972), de Ursula K. Le Guin, os curadores propõem uma tradução intersemiótica da literatura para a fotografia. Obras de Cássio Vasconcellos, Claudia Andujar, Daniela Paoliello, Florence Goupil, Frans Krajcberg, Lab Young & Igor Furtado, Lalo de Almeida, Musuk Nolte e Siân Davey criam uma caixa de ressonância sobre devastação ambiental, a importância dos sonhos e as relações entre corpos vegetais e animais.
No mesmo local, a exposição M’kumba, do artista Gui Christ e curadoria de Felipe Garofalo, A mostra compreende as mitologias afro-brasileiras como tecnologias de memória e resistência. Por meio de imagens que transitam entre o documento e as cosmopercepções das tradições de matriz africana, a seleção inscreve o sagrado afro-brasileiro como dimensão política e campo de recomposição de mundos historicamente violentados. A visitação pode ser feita até 15 de março.
Museu de Sant’Ana
Caminhando poucos metros, o visitante chega ao Museu de Sant’Ana (Rua Direita, 93), onde o fotógrafo documental João Farkas apresenta Costa Norte. A série foi desenvolvida ao longo de quatro anos e sete expedições, percorrendo cerca de 2.200 quilômetros do litoral brasileiro, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. As imagens registram paisagens como a foz do rio Amazonas, o delta do Parnaíba e os Lençóis Maranhenses, alertando para os riscos da ocupação desordenada. A mostra fica aberta até 15 de março.
Até 30 de março, o museu recebe também a mostra Jeito de Corpo, de Luiza Sigulem, que discute diversidade e acessibilidade ao apresentar retratos feitos em espaços públicos de São Paulo. Nas imagens, os transeuntes são convidados a se adaptar à altura do fundo infinito (1,4m), nivelando-se à perspectiva da artista em sua cadeira de rodas. A composição mantém o extracampo, destacando a conexão entre os corpos e a paisagem urbana.
IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)
A coletiva Geografias Brasilienses, com curadoria de Cinara Barbosa, poderá ser vista na sede do órgão (Rua da Câmara, 124 – Centro) até 15 de março. O projeto propõe um mergulho no território do Distrito Federal, investigando as relações entre o espaço planejado de Brasília e a natureza do Cerrado. A atração contará ainda com cinco imagens icônicas de Lucien Clergue (19342014), fotógrafo francês e fundador do Rencontres d’Arles, que registrou Brasília em 1962 e 1963.
Vila Foto em Pauta
A exposição [Entre] propõe uma reflexão sobre os intervalos que dão ritmo e profundidade às experiências humanas. Realizada em espaço aberto (Rua Santíssima Trindade, 92 – Centro), utiliza o formato de varal de fotografia com 18 imagens impressas em tecido. O movimento do vento e a transparência do material reforçam a ideia de impermanência, tornando o público parte do intervalo.
No mesmo local, a mostra Casa ACHO: imagens superviventes reúne obras de artistas que mergulharam no acervo do ACHO, investigando o arquivo como campo vivo de criação. A visitação ocorre até 15 de março.
Na série instalada ao ar livre ITS RAINING RED PEOPLE (and I feel good), Maristela Colucci utiliza o vermelho como linguagem de ruptura e regeneração. Através de figuras em meio à natureza bruta, a artista constrói uma metáfora visual sobre o impacto humano e a interdependência com o ecossistema. A obra imersiva propõe uma descolonização do olhar, abordando urgências contemporâneas como identidade, território e a potência criadora do corpo.
A mostra Convocatória de Fotolivros ZUM/IMS apresenta 45 títulos selecionados entre 182 inscritos na oitava seleção realizada pela Revista ZUM e Biblioteca de Fotografia do IMS. A atração reúne fotolivros, zines e catálogos publicados entre 2024 e 2025, abrangendo todas as regiões do Brasil, além de países da América Latina e Europa. O conjunto destaca a diversidade da produção editorial contemporânea no contexto do Festival ZUM 2025.
Espaço Cultural Aimorés
Querido Pai, projeto de Danilo Zocatelli, investiga as complexas relações entre masculinidade, memória e identidade queer. Com curadoria de Renato Negrão, a exposição foi apresentada em Arles, Londres e Bruxelas. O ensaio nasceu de uma carta ao pai, onde o artista revisita cenas da masculinidade rural para transformar sua história em um gesto de reconciliação.
Já a mostra Madonnas e Fridas reúne trabalhos de 47 mulheres artistas de todo o Brasil. Com curadoria de Ana Sabiá, as obras refletem criticamente sobre as vivências subjetivas das maternidades, unindo fotografia e objetos afetivos.
Outros espaços
- Nicia Braga Cerâmica (Rua José Batista de Carvalho, 43 – Centro): Recebe Seja o que Deus Quiser, da fotógrafa Dani Tranchesi e do escritor Diógenes Moura, com foco na religiosidade e memória brasileira.
- Galeria Lyria Palombini (Rua Direita, 183 – Centro): Apresenta Dicotomia, do fotojornalista Sergio Zalis. A série utiliza a técnica focus stacking para registrar as florestas urbanas do Rio de Janeiro e de Haia.
- Instituto Rouanet (Rua Direita, 248 Centro): Expõe Exteriores, de Bob Wolfenson (curadoria dividida com Ana Tonezzer). São 53 imagens, em uma fotografia que flagra o acaso e o fluxo das cidades ao redor do mundo.
- Secretaria de Turismo (Rua Resende Costa, 71 – Centro): Palco da mostra Além das palavras, resultado de um curso com a comunidade surda de Juiz de Fora, explorando a experiência visual e o silêncio.
- Em São João del-Rei – Birot: Ateliê, galeria de arte contemporânea & Ponto cultural
(Praça Gastão da Cunha 190 A): O projeto Todo acúmulo procura formareúne fotoperformances de João Zucolotto, Paulo Cesar Lima e Mailza Bernard. As obras investigam o corpo como suporte de acúmulos, do trabalho ao descarte e exploram a tensão entre contenção e transbordamento.
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