Opinião

Air Canada: crescimento no Brasil, sustentabilidade e a aposta na experiência global do passageiro

Em entrevista, Rocky Lo - Diretor-Geral de Vendas Internacionais e demais lideranças da cia aérea falam sobre o momento do turismo brasileiro

Air Canada: crescimento no Brasil, sustentabilidade e a aposta na experiência global do passageiro (Lideranças da Air Canada (Foto: Thiago Paes @paespelomundo) )

Com mais de 130 milhões de passageiros, o mercado aéreo brasileiro ainda é majoritariamente doméstico. Em 2025, o país alcançou cerca de 9 milhões de passageiros internacionais número ainda concentrado, em grande parte, na América Latina, especialmente em países vizinhos como Argentina, Paraguai e Uruguai.

Em entrevista, Rocky Lo – Diretor-Geral de Vendas Internacionais; Luis Noriega Benet – Diretor de Vendas para América Latina e Caribe e Giancarlo Takegawa – Diretor Geral da Air Canada Brasil, falaram sobre questões como sustentabilidade, novos voos, mercado latino americano, além das experiências a bordo.

Considerando esse cenário, qual é hoje o principal obstáculo para ampliar os voos internacionais para o Brasil a partir de mercados como o Canadá?

Rocky Lo (Air Canada): Temos avançado bastante. Anos atrás, havia apenas um voo entre Toronto e São Paulo. Hoje, operamos TorontoSão Paulo, MontrealSão Paulo e também voos sazonais para o Rio de Janeiro. Sempre que se introduz um voo direto, há estímulo imediato da demanda mais canadenses passam a viajar ao Brasil e mais brasileiros utilizam nossos serviços para ir ao Canadá. Esse crescimento do fluxo é um sinal claro de que há espaço para expansão.

E esse movimento se limita ao fluxo bilateral?

Rocky: Não. A Air Canada é uma companhia global. Não transportamos apenas passageiros entre Brasil e Canadá. Nos últimos anos, com nossa estratégia de expansão internacional, temos visto muitos brasileiros utilizarem nossos voos para conexões rumo à Ásia e à Europa. Nossos horários são pensados para isso: chegadas pela manhã em Toronto e Montreal facilitam conexões para mais de 50 destinos nos Estados Unidos, além de outros continentes, e os voos de retorno partem à noite, otimizando o fluxo.

Qual o papel das parcerias nesse processo?

Luis Noriega Benet (Air Canada): É fundamental. Promover o Brasil como destino exige cooperação com aeroportos, governos locais e parceiros do trade. Um exemplo é o trabalho realizado com o aeroporto do Rio de Janeiro, que tem sido essencial para promover o destino no Canadá. Esse tipo de parceria aumenta a visibilidade do Brasil e cria oportunidades concretas de crescimento.

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O Brasil é referência na legislação e posicionamentos sobre sustentabilidade. Como a Air Canada atua nesse campo?

Rocky: Publicamos relatórios anuais de sustentabilidade e temos diversas iniciativas. Estamos substituindo equipamentos de solo movidos a diesel por elétricos, reduzindo emissões. Em rotas curtas, passamos a oferecer alternativas como ônibus no Canadá e conexões ferroviárias na Europa. Também estamos revisando o serviço de bordo, reduzindo o uso de plástico e aprimorando as refeições. Além disso, receberemos 90 novas aeronaves nos próximos cinco anos, todas mais eficientes em termos de consumo de combustível.

Há planos de expansão de voos para outras cidades brasileiras além de São Paulo e Rio

Rocky: Sim, algumas cidades já estão sendo analisadas. Com a chegada das novas aeronaves, teremos mais flexibilidade para expandir nossa malha. A capacidade atual não deve permanecer estática nos próximos anos.

Benet: Estamos estudando diversas possibilidades. Isso não significa que todas serão implementadas, mas as oportunidades existem. E, novamente, as parcerias locais serão determinantes para viabilizar essas rotas.

E como a Air Canada vê o mercado latino-americano de forma mais ampla?

Luis: Toda a América Latina é estratégica. Hoje operamos voos para países como Peru, Chile, Argentina, Colômbia, México e diversos destinos no Caribe. Além disso, temos parcerias com companhias como Avianca, GOL e Azul, o que amplia nossa presença regional.

Em um mercado tão competitivo, como se posicionar diante da concorrência?

Rocky: A competição é natural e intensa. Nosso foco está nos diferenciais. Um exemplo importante é o pré-clearance de imigração para os Estados Unidos em Toronto e Montreal. Isso permite que o passageiro complete os trâmites ainda no Canadá e chegue aos EUA como voo doméstico, economizando tempo. Também oferecemos conexões para os três principais aeroportos de Nova York, o que facilita o acesso ao destino final.

A experiência a bordo também entra nesse posicionamento?

Rocky: Sem dúvida. Trabalhamos com chefs renomados no Canadá para desenvolver menus exclusivos. Temos opções adaptadas por rota, inclusive com chefs especializados em culinária japonesa e indiana para voos específicos. A gastronomia é parte essencial da experiência do passageiro.

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O Canadá ainda é visto por muitos brasileiros como destino de intercâmbio. Como mudar essa percepção?

Rocky: O Canadá sempre será um destino educacional forte eu mesmo estudei lá. Mas o país oferece muito mais. É um destino para todas as estações, com natureza exuberante, diversidade cultural e segurança. Há experiências únicas, como esportes de inverno, paisagens naturais e fenômenos como a aurora boreal.

Luis: O trabalho que fizemos no segmento educacional nos ensinou muito. Criamos parcerias com escolas, associações e instituições, entendemos o mercado e agora aplicamos essa lógica ao turismo. Estamos promovendo o Canadá como destino de experiências, não apenas de estudo.

E qual é o papel da Air Canada nesse processo mais amplo?

Rocky: Não somos apenas uma empresa de transporte. Queremos criar experiências completas, desde a compra da passagem até a chegada ao destino. Também temos responsabilidade em aproximar países, estimular o comércio, o turismo e as relações entre pessoas.

E quanto ao turismo sustentável?

Rocky: Trabalhamos com diversos stakeholders para garantir que o crescimento seja equilibrado. Ao investir em novas rotas, contribuímos para o desenvolvimento econômico e para a integração entre países.

Para quem vai ao Canadá pela primeira vez, o que não pode faltar no roteiro?

Rocky: É importante ir com mente aberta. Em Toronto, por exemplo, a CN Tower é parada obrigatória. Assistir a um jogo de hóquei no gelo é uma experiência única. Também recomendo destinos como Mont Tremblant para esqui e regiões onde é possível ver a aurora boreal.

Luis: O Canadá oferece tudo: gastronomia de alto nível, festivais culturais, natureza, grandes cidades e experiências únicas. A pergunta não é o que ver, mas o que você gosta porque há opções para todos os perfis.

Então o desafio é mostrar essa diversidade ao brasileiro?

Luis: Exatamente. O Brasil ainda está descobrindo o Canadá. Com mais conectividade e promoção adequada, esse cenário tende a mudar rapidamente.

O novo turismo do Brasil

No Plano Brasis, da Embratur, o Canadá aparece como mercado com crescimento significativo na emissão de turistas e gastos globais e que demonstram aumento de interesse pelo Brasil. Esse grupo demanda esforços de operadores e agentes para aumentar a presença do Brasil no portfólio desses países.

Mais do que um mercado em crescimento aos olhos das empresas internacionais, o Brasil tem se destacado por sua pluralidade de atrativos, principalmente nas micro e pequenas empresas do turismo. Os estereótipos limitantes do país do futebol e carnaval, agora dão espaço para experiências que revelam um país repleto de possibilidades: imersões culturais em centros urbanos, visitas mediadas por museus em espaços a céu aberto, afroturismo, gastronomia, esporte, aventura.

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Muitas dessas experiências podem ser conferidas no projeto Feel Brasil uma parceria do Sebrae e Embratur, a fim de que o turista estrangeiro, canadense ou não, seja atraído principalmente pelos projetos sustentáveis que são um estandarte para o novo turismo brasileiro. Mais conectividade, mais turistas. Esse intercâmbio entre Brasil e Canadá vai muito além do turismo. 

Thiago Paes é colunista de Turismo e Gastronomia. Esta nas redes sociais como @paespelomundo.  Press: contato@paespelomundo.com.br

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