Se tem algo que faz parte da minha trajetória, são as feiras de turismo. Já participei de muitas, e quando digo muitas, é porque realmente rodei o Brasil acompanhando esses eventos ao longo dos anos. Estive presente como visitante, ainda na época de estudante, observando tudo com curiosidade e vontade de aprender. Depois, já formada, passei a participar como profissional do setor, seja como ouvinte, seja atuando diretamente em estandes, realizando atendimentos e apresentando destinos e serviços.
Minha vivência com feiras de turismo vem desde 2014, e, mesmo não sendo das profissionais mais antigas da área, acompanhei de perto a evolução ou, em alguns casos, a falta dela. Especialmente após o período da pandemia, ficou em mim uma sensação difícil de ignorar: as feiras precisam se reinventar.
Se pegarmos o calendário de feiras somente no Brasil, temos eventos em quase todos os meses e, em alguns períodos, mais de uma feira acontecendo ao mesmo tempo. Nem empresas, nem o setor público conseguem acompanhar esse ritmo de forma efetiva, o que acaba diluindo esforços, investimentos e, muitas vezes, o impacto de cada evento. É como se, ano após ano, estivéssemos participando do mesmo encontro. Poucas novidades, formatos repetidos e uma experiência que já não surpreende como antes. E isso é preocupante, porque o turismo é, acima de tudo, sobre encantamento. É sobre despertar o desejo, provocar emoções e criar conexões que vão além do comercial.
LEIA TAMBÉM: Turismo e ESG: quando viajar também é um compromisso com o futuro
Além disso, é importante olhar com mais atenção para a experiência do visitante dentro das feiras. Muitas vezes, os estandes ainda seguem um modelo engessado, focado apenas na exposição de materiais e na distribuição de brindes, quando poderiam explorar muito mais a criatividade e a interatividade. O público de hoje busca vivências, quer sentir o destino antes mesmo de viajar ou comercializar os destinos e serviços. Falta explorar sentidos, contar histórias de forma envolvente e transformar cada contato em uma experiência marcante. Sem isso, a feira deixa de ser memorável e passa a ser apenas mais um evento na agenda.
Claro, as feiras continuam sendo essenciais. São espaços importantes para o contato direto, o famoso olho no olho, para fortalecer parcerias, apresentar propostas e gerar negócios. Isso nunca deixará de ter valor. No entanto, sinto que está faltando algo fundamental: a capacidade de inovar e encantar novamente. Saímos de muitos desses eventos com a sensação de que poderíamos ter mostrado mais, vivido mais, sentido mais. O potencial está ali, nos destinos, nas histórias, nas pessoas, mas falta transformar isso em experiências memoráveis.
Talvez seja o momento de repensar formatos, apostar em vivências mais imersivas, trazer tecnologia, interatividade e, principalmente, emoção. Porque, no fim das contas, o turismo não é apenas sobre vender lugares, mas sobre inspirar pessoas. E as feiras, como grandes vitrines do setor, precisam voltar a cumprir esse papel com força total.
Siga o @portaluaiturismo no Instagram e no TikTok @uai.turismo
