Em um texto anterior, abordei o papel dos deputados e senadores no desenvolvimento do turismo no Brasil. Retomo o tema agora com um olhar mais orientado por dados, especialmente em um contexto de ano eleitoral, que reforça a responsabilidade de escolhas alinhadas às necessidades e expectativas da população: as emendas parlamentares no turismo.
Os investimentos destinados ao turismo impactam diretamente a forma como o setor se desenvolve. O volume de recursos, bem como sua distribuição e planejamento, influenciam na qualidade da infraestrutura, na promoção dos destinos e na estruturação de experiências turísticas mais competitivas. Quando há investimento consistente, é possível qualificar serviços, atrair visitantes e gerar um ciclo positivo de desenvolvimento econômico e social. Por outro lado, a baixa destinação de recursos limita o crescimento e reduz o potencial do turismo como vetor de transformação nos territórios. Por isso, discutir investimentos no setor é, também, discutir o modelo de desenvolvimento que queremos construir.
Para compreender o lugar do turismo nas prioridades de investimento público, é importante observar como os recursos vêm sendo distribuídos na prática. Em 2025, os valores destinados por meio de emendas parlamentares revelam um cenário que merece atenção. Até o momento, o total pago em emendas, considerando todos os segmentos no Brasil, alcança R$ 31,538 bilhões. Desse montante, o turismo recebeu aproximadamente R$ 42,8 milhões valor que não chega a 1% do total pago (0,13%). Para efeito de comparação, as chamadas transferências especiais somaram cerca de R$ 6,8 bilhões, representando 22% do total pago em emendas no mesmo período.
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Ao observar a destinação dos recursos voltados ao turismo dessas emendas, percebe-se que a maior parte foi direcionada a iniciativas em diversos locais, classificadas como múltiplos destinos, que concentraram cerca de R$ 34,9 milhões aproximadamente 82% do total destinado ao setor. Já os repasses diretos a localidades específicas foram mais restritos, contemplando um número reduzido de municípios e estados levando em consideração o tamanho do Brasil, como Barbacena (MG), Cabo Frio (RJ), Cruz das Almas (BA), Ipiranga do Piauí (PI), Jenipapo dos Vieiras (MA), Maceió (AL), Porto Murtinho (MS), além de recursos destinados diretamente a estados como Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.
Outro ponto importante é compreender que a execução de uma emenda parlamentar segue um fluxo administrativo específico. Inicialmente, o recurso é indicado pelo parlamentar, definindo a destinação e o objeto a ser atendido. Em seguida, a proposta é cadastrada em sistema próprio do governo federal, com a inclusão de todas as informações técnicas e documentais necessárias. Posteriormente, o projeto passa pela análise e aprovação do ministério responsável e, somente após essa etapa, é autorizada a liberação para início da execução da emenda, permitindo que o ente beneficiado dê prosseguimento às ações previstas. Trata-se de um processo naturalmente mais moroso, não por entrave, mas pela necessidade de cumprir etapas de análise, validação e controle, que garantem a correta aplicação dos recursos públicos e a conformidade com as exigências legais.
Essa análise não ignora que áreas como saúde, educação e segurança são prioritárias, mas chama atenção para o potencial ainda pouco explorado do turismo como vetor de desenvolvimento econômico. O setor já representa cerca de 7% da economia e, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a cada R$ 1 investido em promoção turística, até R$ 20 podem ser movimentados na economia por meio do consumo dos visitantes. Isso significa geração de renda, fortalecimento de negócios locais e aumento da arrecadação para os municípios.
Diante desse cenário, refletir sobre a destinação de recursos também é parte do exercício de cidadania. Com a proximidade das eleições, torna-se ainda mais importante buscar informações e compreender como as decisões públicas dos deputados e senadores impactam diretamente o desenvolvimento dos territórios.
Todos os dados apresentados foram extraídos do Portal da Transparência do Governo Federal.
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