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Gamescom Latam 2026: painel mostra que jogos moldam imaginário de viagem

Especialistas apontam que experiências digitais ampliam o interesse por destinos, enquanto o evento em São Paulo atrai visitantes de várias regiões

Gamescom Latam 2026: painel mostra que jogos moldam imaginário de viagem (Foto/ Reportagem: Leo Lima)

Antes de comprar uma passagem, cada vez mais pessoas exploram destinos dentro dos jogos. Esse movimento foi tema do painel Controles viajantes, na Gamescom Latam 2026, realizada em São Paulo entre 30 de abril e 3 de maio. O debate reuniu Marcelo Rigon, presidente da ACJOGOS-SP, Lobba Mattos Nunes Costa, da BIND Associação de Desenvolvedores de Jogos do Estado da Bahia, e Lucas Resende Toso, jornalista e criador do portal Controles Voadores.

Para Lobba Mattos, os games já começam a ser reconhecidos como ferramenta para o turismo, embora ainda em estágio inicial. Existe um começo de reconhecimento, inclusive em iniciativas institucionais, mas o Brasil é muito grande e isso acontece de forma desigual, afirma. Segundo Lobba, os jogos brasileiros carregam identidade não apenas nas histórias, mas na própria experiência. As formas de jogar também revelam de onde nós somos. O Brasil não é uma coisa só, diz.

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A discussão também destacou que o impacto dos jogos no turismo depende de escala e maturidade do setor. Lucas Resende Toso avalia que a indústria nacional ainda busca consolidar seu público. A gente tem muitos jogadores, mas poucos jogando jogos brasileiros. Quando olhamos para produções independentes autorais, esse número ainda é pequeno, explica. Ele ressalta que já existem títulos que exploram paisagens e culturas locais, mas ainda sem alcance suficiente para influenciar grandes fluxos de viagem.

Marcelo Rigon aponta que esse limite está ligado a entraves estruturais. Existe dificuldade de acesso a investimento, tanto público quanto privado, para chegar em níveis maiores de produção, afirma. Segundo ele, a falta de suporte leva estúdios a migrar para outros países. Empresas que começam a ganhar escala acabam saindo do Brasil, e isso impede que a gente chegue a projetos com impacto global, diz.

Mesmo assim, os participantes concordam que o desejo de viajar pode surgir a partir da experiência com jogos. Rigon destaca que o interesse não nasce necessariamente de uma estratégia direta. A pessoa não tinha aquilo no radar, mas se encanta com o cenário, com a narrativa, e isso desperta vontade de conhecer o lugar, afirma.

Na mesma linha, Lobba reforça que o turismo nos games está mais ligado à exposição cultural do que à promoção intencional. Não é uma relação direta de causa. É sobre dar visibilidade ao Brasil, às experiências e aos lugares. Quanto mais jogos existirem, mais oportunidades as pessoas têm de se encantar, explica.

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Lucas Toso acrescenta que esse processo também passa pela construção de imaginário coletivo. Quanto mais jogos a gente tiver com identidade brasileira, mais isso desperta interesse. Às vezes o jogo nem fala diretamente sobre o país, mas cria referências que fazem as pessoas quererem conhecer, diz.

Além do conteúdo debatido, a própria Gamescom Latam reforça o turismo de eventos. O encontro atrai visitantes de diferentes regiões e movimenta setores como hotelaria e aviação. Além do conteúdo debatido, a própria Gamescom Latam reforça o turismo de eventos. O encontro atrai visitantes de diferentes regiões e movimenta setores como hospedagem e transporte. Para quem deseja transformar a experiência gamer em roteiro, plataformas como Xtay e ClickBus facilitam a organização de viagens pelo país.

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