A multipropriedade continua em expansão no Brasil e Minas Gerais desponta como uma das apostas mais promissoras do setor. É o que revela um estudo da consultoria Caio Calfat Real Estate Consulting, especializada em mercado imobiliário turístico, que acompanha o desempenho dos empreendimentos em todo o país.
Segundo a pesquisa, o Brasil já soma 224 empreendimentos de multipropriedade distribuídos em 99 cidades, movimentando cerca de 44 mil apartamentos no mercado potencial. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado em comparação aos anos anteriores, o setor segue em expansão agora com projetos mais estruturados, maiores e financeiramente mais diversificados.
O mercado continua crescendo, mas hoje de forma mais madura e dimensionada, explica Fernanda Nogueira, representante da consultoria, em entrevista ao Portal Uai Turismo. Voltamos a ver projetos maiores, com 200 ou 300 apartamentos, e muitos deles integrados a masterplans turísticos e imobiliários.
O que é multipropriedade?
O modelo de multipropriedade permite que diferentes pessoas sejam donas de frações de um imóvel turístico, normalmente com direito de uso de uma ou duas semanas por ano. O formato se popularizou especialmente em destinos de lazer e férias, como Gramado, Olímpia e cidades litorâneas. Mas, segundo especialistas, o impacto vai além do mercado imobiliário: a multipropriedade também vem se consolidando como ferramenta de desenvolvimento turístico.
Ao contrário da hotelaria tradicional que normalmente chega apenas quando o destino já está consolidado a multipropriedade tem conseguido impulsionar cidades ainda pouco estruturadas para o turismo. Isso acontece porque os empreendimentos precisam oferecer infraestrutura completa de lazer para manter os hóspedes no local por vários dias. Piscinas, recreação, restaurantes, academias e programações internas acabam transformando o complexo em um atrativo em si.
Um dos exemplos citados é o de Salinópolis, no Pará, onde grandes empreendimentos ajudaram a aumentar significativamente o fluxo turístico da região. Segundo ela, o movimento acaba beneficiando restaurantes, comércio, serviços e atrações do entorno. O comportamento do multiproprietário é muito parecido com o do turista tradicional. Ele circula pela cidade, consome, frequenta restaurantes e movimenta a economia local.
Multipropriedade em Minas Gerais entra no radar do setor
Em Minas Gerais, o movimento ainda é considerado inicial, mas já chama atenção do mercado. Destinos como Capitólio, Ouro Preto, Tiradentes e Ouro Branco aparecem entre as regiões estudadas pela consultoria.
Para Fernanda, Minas tem espaço para crescer justamente por ainda não apresentar o nível de saturação observado em mercados como Nordeste e Sul do Brasil: Minas Gerais ainda tem muito potencial para desenvolver multipropriedade. Existem muitas cidades com vocação turística ou próximas de destinos turísticos que podem receber esse tipo de empreendimento.
A especialista afirma que o principal comprador, atualmente, é o próprio mineiro especialmente moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte e do interior do estado. Há também forte presença de consumidores do interior de São Paulo, principalmente pela proximidade geográfica com destinos mineiros mais localizado no sul do estado.
Mudança no perfil do comprador
O perfil do consumidor também mudou nos últimos anos. Antes concentrado em famílias com filhos pequenos, o mercado passou a atrair grupos de amigos, irmãos e até pessoas acima dos 60 anos que desejam investir em destinos para aposentadoria ou qualidade de vida. Gramado, por exemplo, aparece como um dos casos em que a multipropriedade se conecta ao desejo de morar futuramente no destino.
Outro ponto abordado na pesquisa é a mudança no comportamento comercial do setor. As tradicionais abordagens agressivas em ruas e pontos turísticos vêm perdendo espaço após anos de reclamações, distratos e processos judiciais.
Segundo Fernanda, o mercado passou a investir em vendas mais qualificadas e menos emocionais: Muitas empresas perceberam que a abordagem agressiva gera desgaste, judicialização e desistência. Hoje existe muito mais cuidado na captação desse cliente.
Mesmo assim, a taxa média de desistência ainda gira em torno de 30%, embora a expectativa seja de redução gradual conforme o consumidor passe a entender melhor o modelo de negócio.
LEIA TAMBÉM: Check-in digital em hotéis avança no Brasil, mas enfrenta entraves na prática
Turismo, tendências, urbanização e investimentos públicos
A chegada dos empreendimentos também costuma acelerar melhorias urbanas e investimentos públicos locais. Em alguns destinos, prefeituras passaram a exigir contrapartidas dos empreendedores, como melhorias viárias, acessos e infraestrutura. O movimento já foi observado em cidades como Porto Seguro e Olímpia esta última considerada um dos maiores cases nacionais da multipropriedade: Olímpia praticamente se consolidou como destino turístico junto com a multipropriedade, afirma a especialista.
A indústria do turismo continua crescendo e, neste cenário, o fomento e o desenvolvimento de equipamentos turísticos na hospitalidade também, o que inclui a multipropriedade nas várias regiões do País, especialmente no Nordeste, Sul e Sudeste, onde teremos aberturas ainda este ano, além de prospecções avançadas em estados como Bahia, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, diz João Cazeiro, diretor de Desenvolvimento da Livá Hotéis & Resorts.
O executivo também destaca o lançamento, durante o ADIT Share, da Livá Residences, com atuação no segmento de branded residences, modelo que ganha força no Brasil ao integrar moradia, serviços e experiência em um único conceito. Nós lançamos a unidade de negócios já com o projeto Alma Aramis, na Península de Maraú, na Bahia, que entra em operação ainda no primeiro semestre deste ano. Além disso, estamos em processos de negociação avançados nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso e São Paulo, finaliza.
Além da multipropriedade, a consultoria Caio Calfat também acompanha tendências como hotelaria, short stay, segunda residência e senior living modelo voltado para moradia de pessoas acima de 60 anos. Para especialistas, a tendência é que turismo e mercado imobiliário continuem cada vez mais conectados, principalmente em destinos emergentes.
E Minas Gerais, ao que tudo indica, pode ser uma das próximas fronteiras dessa transformação.
Siga o @portaluaiturismo no Instagram e no TikTok @uai.turismo
