Projetos

Overtourism: quando o “sucesso” de um destino vira um desafio de gestão

Gerenciar o turismo moderno exige coragem para dizer "não" ao crescimento desordenado em favor de uma qualidade perene.

Overtourism: quando o “sucesso” de um destino vira um desafio de gestão (A gestão de restrições em destinos globais (Foto: IA))

Você já chegou a um destino dos sonhos e sentiu que era “gente demais para pouco lugar”? O que estamos vendo em cidades como Veneza, Barcelona e até em vilas pacatas do Japão não é apenas um excesso de visitantes, mas um clássico problema de Gerenciamento de Restrições. Quando um destino “viraliza”, o projeto de turismo local muitas vezes perde o controle sobre sua capacidade de entrega, e o resultado é o que chamamos de Overtourism.

Na gestão de projetos, sabemos que todo sistema tem um limite. Imagine tentar rodar um aplicativo super pesado em um celular antigo: ele vai travar. O turismo funciona da mesma forma. Cada cidade tem uma “capacidade de carga”, um limite de fôlego para absorver turistas sem destruir a qualidade de vida de quem mora lá ou a experiência de quem visita. Ignorar esse limite é o primeiro passo para o fracasso de qualquer iniciativa.

É aqui que entra a Visão Sistêmica. Gerenciar um destino turístico não é apenas atrair pessoas, é entender como o aumento de visitantes impacta o preço do aluguel para o morador, a coleta de lixo, a segurança e até o fornecimento de água.

Um bom gestor de projetos no turismo hoje precisa trabalhar com a Gestão de Stakeholders de forma equilibrada. O sucesso não é medido apenas pelo número de desembarques, mas pelo equilíbrio entre a satisfação do turista e o bem-estar do residente. Quando esses interesses entram em conflito, o destino perde sua alma, e o valor do “produto” turístico despenca.

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Para resolver isso, a tecnologia e a inovação são nossas maiores aliadas. Cidades inteligentes já usam dados em tempo real para prever fluxos. Isso é Gestão de Riscos: antecipar o caos antes que ele aconteça e criar rotas alternativas que valorizem outras regiões, distribuindo a renda de forma mais justa.

O conceito é o Turismo Regenerativo. Em vez de apenas “causar o menor impacto possível”, o objetivo do projeto passa a ser deixar o lugar melhor do que ele estava. Isso exige um planejamento rigoroso, onde cada ação é desenhada para gerar um legado positivo para o ecossistema local. É transformar o turista de um “consumidor de paisagens” em um “colaborador do destino”.

Gerenciar o turismo moderno exige coragem para dizer “não” ao crescimento desordenado em favor de uma qualidade perene. Afinal, ninguém quer visitar um museu que virou um formigueiro ou uma praia onde não se vê a areia. O grande projeto do turismo atual é redesenhar a jornada para que ela seja viável hoje, amanhã e daqui a vinte anos.

E você, já deixou de visitar algum lugar por causa das multidões? Ou já sentiu que sua cidade mudou demais por causa do turismo? O segredo de um destino inesquecível está sempre nos bastidores, em um planejamento que sabe a hora de acelerar e a hora de ajustar a rota.

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