Ouro Preto tornou-se o palco de uma das maiores celebrações da identidade estadual durante o FESTUR. Com o tema No Batuque da Fé, o evento apresenta também as quitandas mineiras como protagonistas de um mercado que une afeto, cultura e desenvolvimento econômico. O Portal Uai Turismo acompanhou o primeiro dia de atividades, onde o quintal das quitandeiras e doceiras reforçou por que Minas Gerais é o destino gastronômico por excelência no Brasil.
Belo Vale: entre a doçura da quitanda e o peso da história
A participação de Belo Vale no FESTUR reforça a vocação do município para o turismo de memória e gastronomia. Conhecida como a terra da mexerica e excelência de suas broas e roscas, a cidade carrega em suas receitas o segredo de gerações que mantêm viva a tradição das quitandas a partir da fruta.
Contudo, o grande diferencial de autoridade de Belo Vale é o Museu do Escravo. Única instituição do gênero no Brasil, o museu é um pilar fundamental para o turismo consciente. Originalmente concebido nas dependências da Basílica do Senhor Bom Jesus, em Congonhas, e transferido para Belo Vale na década de 70, o acervo preserva a memória do período da escravidão, oferecendo ao visitante uma reflexão profunda sobre as raízes da cultura mineira. Muito mais do que mostrar o período de sofrimento, o museu apresenta como a cultura negra é a essência de Minas e do Brasil e como moldou nossa gastronomia, arte e saberes. Ali, a história não é apenas contada, ela é sentida, tornando a visita uma etapa obrigatória para quem busca entender a formação social do estado.
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Capitólio e Barão de Cocais: A Força do Patrimônio Imaterial
Se Capitólio já é um destino consolidado pelos seus canyons e águas cristalinas, o município agora utiliza o FESTUR para mostrar que sua alma também está na ruralidade. As quitandas de Capitólio são o elo entre o turista e a vida no campo, agregando valor à jornada de quem busca experiências autênticas de luxo descalço.
Já em Barão de Cocais, a tradição caminha lado a lado com a preservação. O modo de fazer da Goiabada Cascão local, já reconhecido como patrimônio imaterial, é o par perfeito para as quitandas produzidas na região. O município demonstra como a gastronomia pode ser o fio condutor para o fortalecimento de destinos que compõem a rota Entre Serras da Piedade ao Caraça, do Circuito do Ouro. A quitandeira doceira Mirtes, conhecida na cidade como “a menina do canudinho de doce de leite” está no evento com seus quitutes que vão desde o tradicional biscoito de polvilho até doces de goibada e de leite. Ela, inclusive, em seu sítio “Vale da Lua”, no distrito que Cocais, recebe visitantes que querem colocar a mão na massa. Por lá é possível vivenciar uma experiência fazendo sua própria quitanda à beira de um forno à lenha e degustar um café mineiro com muita fartura e prosa boa.
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O mapa dos sabores: Congonhas, Paracatu e além
A tradição das quitandas é uma mancha cultural que se espalha por todo o território mineiro, cada qual com sua particularidade técnica:
- Congonhas: referência nacional com o seu Festival da Quitanda, que atrai milhares de turistas e valoriza as “quitandeiras de mão cheia”, transformando o saber popular em um evento de grande impacto econômico.
- Paracatu: detentora da Indicação de Procedência (IP) para o seu Pão de Queijo, a cidade é um exemplo de como a proteção da origem pode elevar um produto ao status de item de exportação e atrativo turístico de luxo.
- Itabirito: onde o Pastel de Angu reina absoluto, mostrando a versatilidade do milho na mesa mineira com raízes históricas do período do ciclo do ouro.
O que vimos no FESTUR este ano é a consolidação de que Minas Gerais não vende apenas destinos, vende identidade. As quitandas mineiras saíram do café da tarde para se tornarem ativos de marketing territorial. Quando um município como Belo Vale une a força histórica do Museu do Escravo com a delicadeza de sua produção artesanal, ele cria um produto turístico de alta complexidade e valor. O desafio agora é escalar essa produção mantendo a essência, garantindo que o benefício financeiro chegue à ponta: a quitandeira que detém o saber
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