Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4.301/2025, que propõe alterações na Lei nº 12.591/2012, responsável por reconhecer as atividades do Turismólogo no Brasil. Entre as mudanças previstas, o texto cria a figura do “Turismólogo provisionado”, permitindo que profissionais com formação superior em qualquer área do conhecimento possam atuar como turismólogos, desde que comprovem experiência em atividades relacionadas ao turismo.
A proposta traz à tona um debate importante sobre o futuro da profissão e sobre a valorização daqueles que dedicaram anos de estudo à formação em Turismo. O turismo é uma área multidisciplinar e, naturalmente, dialoga com profissionais de diversas formações. Entretanto, é preciso ter cuidado para que a busca pela inclusão de profissionais experientes não resulte na desvalorização da formação específica em Turismo.
Viajar muito não transforma ninguém em turismólogo. Conhecer dezenas de países, acumular carimbos no passaporte ou produzir conteúdo sobre viagens não substitui o conhecimento técnico construído em sala de aula, nas pesquisas, nos projetos de extensão e na prática profissional desenvolvida ao longo da graduação.
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Existe uma diferença significativa entre conhecer destinos turísticos e compreender os processos que estruturam um destino. O turismólogo é preparado para analisar territórios, desenvolver produtos turísticos, elaborar planos e políticas públicas, coordenar pesquisas, identificar potencialidades e desafios locais, dialogar com comunidades, promover a sustentabilidade e contribuir para o desenvolvimento econômico e social por meio do turismo.
A própria Lei nº 12.591/2012 reconhece essa complexidade ao atribuir ao turismólogo funções relacionadas ao planejamento, gestão, pesquisa, marketing, elaboração de roteiros, desenvolvimento de destinos e formulação de estratégias para municípios, regiões e estados. Por isso, a discussão sobre a regulamentação da profissão é necessária. O Brasil precisa avançar no reconhecimento do turismólogo e garantir maior valorização profissional. No entanto, uma mudança dessa relevância não deveria ocorrer sem amplo diálogo com universidades, entidades representativas, pesquisadores, profissionais da área, gestores públicos e demais atores do setor turístico.
A questão não é impedir que profissionais de outras áreas contribuam com o turismo. Isso já acontece diariamente e é fundamental para o desenvolvimento do setor. O ponto central é garantir que a legislação reconheça a especificidade da formação em turismo e preserve a identidade de uma profissão que possui conhecimento próprio, métodos de análise e competências técnicas definidas.
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O Projeto de Lei ainda será debatido e essa é justamente a oportunidade para que a comunidade do turismo participe da discussão. Regulamentar e fortalecer a profissão é um caminho importante. Mas isso deve ser feito sem reduzir a complexidade do trabalho do turismólogo e sem transmitir a mensagem de que experiência de viagem é equivalente à formação profissional.
Turismo é muito mais do que viajar. Turismo é planejamento, pesquisa, gestão, desenvolvimento territorial e transformação social. E isso exige formação, conhecimento e responsabilidade.
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