Da viagem de carro rumo ao Walley World às confusões na Europa, a família Griswold mostrou que, nas férias, nem sempre o roteiro sai como planejado, mas nem por isso ele não pode ser divertido.
Planejar uma viagem em família costuma envolver uma dose generosa de expectativa. Escolher o destino, reservar o hotel, montar o roteiro, separar as malas e imaginar os dias de descanso. Só que existe uma diferença considerável entre o que aparece no planejamento e o que acontece quando a viagem começa de verdade.
O pneu pode furar, o GPS pode levar para o caminho errado, uma atração pode estar fechada e aquela parada para comer na estrada pode se transformar em uma experiência que ninguém gostaria de repetir. Se essa situação parece familiar, talvez seja porque, de alguma maneira, todos nós temos um pouco de Clark Griswold.
Interpretado por Chevy Chase, o personagem é o protagonista de Férias Frustradas (National Lampoon’s Vacation), franquia que transformou os imprevistos das viagens em combustível para uma das séries de comédia mais conhecidas do cinema americano.
Desde o primeiro filme, lançado em 1983, a família Griswold atravessa estradas, aeroportos, cidades e atrações turísticas enfrentando uma sucessão de problemas. O curioso é que, décadas depois, muita coisa continua parecendo estranhamente familiar para quem já encarou uma viagem de carro com a família.
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A viagem que deveria ser perfeita
No primeiro Férias Frustradas, Clark Griswold decide levar a mulher, Ellen, e os filhos, Rusty e Audrey, em uma longa viagem de carro pelos Estados Unidos. O objetivo é chegar ao Walley World, um parque de diversões fictício apresentado como o grande destino das férias.
A viagem começa com a expectativa de dias inesquecíveis, mas rapidamente se transforma em uma coleção de contratempos.
O carro da família passa por problemas, o grupo enfrenta situações inesperadas pelo caminho, se perde e precisa lidar com o cansaço de uma longa viagem rodoviária. Quando finalmente chega ao destino tão aguardado, Clark descobre que o parque está fechado.
É justamente aí que está uma das grandes sacadas da franquia. O problema não é apenas chegar ao destino. É tudo o que acontece entre a saída de casa e a chegada.
Quando a estrada vira parte da viagem
As chamadas road trips têm um apelo especial. Viajar de carro permite mudar o caminho, parar em pequenas cidades, conhecer restaurantes de estrada e descobrir paisagens que dificilmente apareceriam em um roteiro feito apenas entre aeroportos e hotéis. Esse tipo de viagem começa a ter mais força no Brasil e já existem inclusive empresas que alugam carros maiores e até motorhomes para você e sua família caírem na estrada.
Por outro lado, horas dentro de um mesmo veículo também podem testar a paciência de qualquer família. Crianças cansadas, adultos preocupados com o horário, discussões sobre a próxima parada, falta de sinal de internet e aquela pergunta inevitável, falta muito?, fazem parte da experiência.
Os Griswold levam essas situações ao extremo, como exige uma comédia, mas a essência é reconhecível. A viagem em família raramente é formada apenas por momentos perfeitos para fotografar.
Dos Estados Unidos à Europa
O sucesso do primeiro filme levou os Griswold para outros destinos. Em Férias Frustradas na Europa, de 1985, a família troca a estrada americana por uma viagem internacional. Londres, Paris, Roma e outros cenários europeus aparecem como pano de fundo para novas confusões.
A lógica, porém, permanece a mesma: quanto maior a expectativa, maior parece ser o potencial para alguma coisa dar errado.
Uma das cenas mais lembradas envolve Clark tentando entender o trânsito londrino e entrando em uma situação cada vez mais complicada. É uma brincadeira com uma dificuldade bastante real para turistas: dirigir em um lugar desconhecido, com regras de trânsito diferentes e sem dominar completamente a dinâmica da cidade.
A franquia percebeu cedo que viajar também significa sair da zona de conforto. E, quando isso acontece, até uma simples rotatória pode virar uma aventura.
O retorno dos Griswold
Mais de três décadas depois do filme original, a família voltou ao cinema em Férias Frustradas (2015). Desta vez, quem assume o papel de protagonista é Rusty Griswold, interpretado por Ed Helms. Já adulto e com sua própria família, ele decide repetir a viagem ao Walley World que marcou sua infância.
A tentativa de reviver a aventura do pai, porém, rapidamente se transforma em uma nova sequência de situações absurdas. O filme atualiza a fórmula para uma época de carros alugados, tecnologia e novas formas de viajar, mas preserva a ideia central: não importa quanto tempo passe, sempre existe a possibilidade de uma viagem em família sair completamente do roteiro.
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Por que os Griswold continuam tão atuais?
Parte do sucesso de Férias Frustradas está justamente na capacidade de transformar situações comuns em comédia.
A família não enfrenta apenas acontecimentos extraordinários. Muitas das situações começam com problemas banais: cansaço, trânsito, expectativas diferentes, dificuldades de comunicação, mudanças de planos e a necessidade de resolver problemas longe de casa.
É por isso que a franquia continua encontrando identificação mesmo entre pessoas que nasceram décadas depois do primeiro filme.
A viagem perfeita existe nas fotos. Na vida real, ela costuma vir acompanhada de atrasos, improvisos e pequenas histórias que não estavam previstas no roteiro.
E talvez seja justamente isso que torne algumas viagens inesquecíveis.
O que os Griswold ensina ao viajante
Apesar de todas as trapalhadas, os filmes também permitem tirar algumas lições bastante úteis para quem pretende pegar a estrada.
A primeira é simples: confira o destino antes de sair de casa. Horários de funcionamento, necessidade de ingressos, reservas e eventuais fechamentos podem evitar a descoberta desagradável de chegar ao destino e encontrar as portas fechadas.
A segunda vale especialmente para quem pretende viajar de carro: faça uma revisão no veículo, aqui no Portal Uai Turismo já publicamos varias matérias sobre isso. Pneus, freios, óleo, bateria e demais itens de segurança merecem atenção antes de uma viagem longa.
Também vale não transformar o roteiro em uma obrigação. Planejamento é importante, mas deixar algum espaço para mudanças pode tornar a experiência menos estressante.
E existe uma última lição, talvez a mais importante: aceitar que imprevistos fazem parte da viagem. Um pneu furado durante uma chuva, uma parada inesperada ou aquela hospedagem que não era exatamente como aparecia nas fotos podem parecer o fim do mundo naquele momento. Anos depois, porém, podem se transformar justamente na história que a família mais gosta de contar.
Porque, no fim das contas, nenhuma viagem sai completamente como planejado. E talvez seja essa a parte mais verdadeira de Férias Frustradas: Por trás das situações exageradas e do humor, a franquia lembra que viajar também é aprender a lidar com o inesperado. E, quando os imprevistos acontecem, ter a família por perto pode transformar até o maior perrengue em uma boa história para contar depois.
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