História

Arqueólogos encontram em igreja católica uma ‘passagem para o submundo’


Por Flipar
Youtube/The ARX Project

Segundo os pesquisadores do Projeto Lyobaa, foi usada uma tecnologia avançada, não invasiva, para escanear o solo e permitir a descoberta, que consistia em um complexo sistema de câmaras e túneis subterrâneos construídos há mais de mil anos pelos zapotecas

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'Lyobaa' significa 'o lugar de descanso'. Segundo relatos orais passados tradicionalmente de geração para geração no México, esses túneis ocultos eram considerados uma 'porta de entrada para a terra dos mortos'

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A base da construção zapoteca serviu, séculos depois, para a construção da igreja de São Paulo Apóstolo, já na era da dominação espanhola sobre o povo Asteca, entre 1519 e 1521

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A descoberta foi feita por uma colaboração de geofísicos, engenheiros, arqueólogos e especialistas em conservação do Instituto Nacional Mexicano de Antropologia e História (INAH) com a Universidade Autônoma do México e o Projeto ARX

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Através de um radar de penetração no solo, tomografia de resistividade elétrica e tomografia sísmica, um modelo virtual 3D foi desenvolvido pela equipe de pesquisadores nas ruínas subterrâneas

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Com as tecnologias, foi possível medir a reflexão de ondas eletromagnéticas e sísmicas quando passam pelas camadas do subsolo e outros materiais enterrados. Isso revelou um grande buraco abaixo do altar principal e duas passagens a ele conectadas, tudo a uma profundidade de 5 a 8 metros

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Os mesmos métodos já ajudaram a encontrar outros sítios arqueológicos mesoamericanos, como anormalidades em Teotihuacán que também indicam entradas ao submundo das culturas pré-colombianas

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As evidências da existência de um complexo arquitetônico substerrâneo na igreja católica apenas comprovam a engenhosidade do povo Zapoteca, que tinha o local enfeitado com impressionantes mosaicos, além de monumentos e tumbas repletas de 'tesouros para o pós-vida'

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De acordo com os historiadores, este era o principal centro religioso dos zapotecas até o final do século XV, quando, conquistados pelo povo Asteca, abandonaram o lugar

James Gay Sawkins (geologist)/Wikimedia Commons

Os túneis encontrados se conectam à cultra Zapoteca e seu conceito de submundo, confirmando os relatos coloniais que falam de rituais elaborados e cerimônias feitas em Mitla — justamente nos locais subterrâneos relacionados ao culto dos mortos e dos ancestrais

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O complexo arquitetônico de Mitla, onde foi encontrada a estrutura relacionada ao submundo, fica a 44 km de Oaxaca, que foi o principal centro religioso da cultura pré-colombiana e ostenta, até hoje, mosaicos intrincados e bastante únicos

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Oaxaca é uma cidade importante no México e uma das principais na cultura do Dia dos Mortos, celebrado no país entre o fim de outubro e o início de novembro, e que é quando as pessoas vão aos cemitérios prestar homenagens aos seus parentes e também quando 'as almas podem voltar do além para estar perto dos seus'

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Mas o Día de los muertos é muito mais do que um 'Halloween' ou 'Dia dos finados'. Ele tem origem nos povos ancestrais, como os astecas e os maias, e, inicialmente, era celebrado em agosto

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A mudança para a comemoração atual provém da conquista espanhola, que, chocados com os rituais pagãos, mudaram para algo mais próximo do 'Dia de todos os santos'

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Na comemoração do Dia dos mortos, são feitas diversas homenagens, como os altares, as caveiras de açúcar, os esqueletos com roupas e adereços, as flores decorativas e a famosa 'La Catrina' (A caveira de Catrina)

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O Día de los muertos foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, em 2003. A celebração pode durar até sete dias, começando a festa por volta de 26 de outubro e indo até 3 de novembro

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Apesar de a data ser comemorada em todo o país, ela é mais tradicional nos seguintes locais: Aguas Calientes, Cidade do México, Morelos, Oaxaca e Quintana Roo

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