Trata-se de São José dos Campos, cidade de 697 mil habitantes que fica em São Paulo.
Vale ressaltar que o título de “capital dos raios” no Brasil vai além de um simples ranking de descargas elétricas.
Isso porque o município paulista é também um centro brasileiro de conhecimento, monitoramento e proteção contra raios.
A cidade é a sede de duas importantes órgãos ligados ao tema: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT).
São José dos Campos se transforma em um laboratório natural devido à sua geografia única no Vale do Paraíba, cercada pelas Serras do Mar e da Mantiqueira.
O Vale apresenta condições climáticas e topográficas que intensificam tempestades severas — como a umidade vinda do oceano, o calor intenso e a ilha de calor urbana.
A partir dessa base, o ELAT opera a Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (BrasilDAT), com cerca de 70 sensores que monitoram raios em tempo real.
Além disso, eles também usam sistemas avançados de previsão que, com o auxÃlio de modelos numéricos que simulam o comportamento da atmosfera, conseguem detectar raios com 24 horas de antecedência.
O impacto dos raios no Brasil é significativo. São registrados cerca de 77,8 milhões de descargas elétricas por ano em território nacional.
Raios são responsáveis por aproximadamente 110 óbitos anuais no Brasil.
Para se ter uma ideia, a cada 50 mortes ocorridas por raio no mundo, uma acontece no Brasil.
O setor agropecuário está entre os mais afetados, concentrando cerca de 26% das mortes, de acordo com dados do ELAT.
Além disso, em torno de 21% dos casos fatais são de pessoas atingidas dentro de casa, mas que estavam próximas de redes elétricas ou hidráulicas.
No caso do setor agropecuário, as perdas são ainda mais significativas devido à morte de rebanhos.
Para enfrentar esse cenário, São José dos Campos desenvolveu sistemas de referência, como o Centro de Segurança e Inteligência (CSI), que envia alertas via SMS.
O desafio deve se intensificar, já que estimativas do INPE apontam que o aquecimento global pode elevar o total de raios no Brasil para cerca de 200 milhões por ano até o fim deste século.