Todo esse acervo inclui cartas náuticas, instrumentos de navegação, fotografias, bússolas, conchas de diferentes oceanos, objetos diversos e uma vasta biblioteca especializada passou.
Idealizado pelo próprio navegador, o museu é dedicado à cultura marítima e à história da navegação.
Instalado em um casarão histórico no Largo de Santo Antônio Além do Carmo, o espaço abriga o 'Três Marias' como sua peça central — o nome foi dado em homenagem às suas duas filhas, chamadas Maria, e a então esposa, Maria Belov.
Foi a bordo do emblemático veleiro que Belov deu suas três primeiras voltas ao mundo. Levar a embarcação para dentro do edifício exigiu uma operação complexa.
Belov chegou a consultar o Iphan sobre a possibilidade de manter uma abertura permanente no teto do imóvel, evitando o corte do mastro. Embora a ideia tenha sido aceita inicialmente, acabou rejeitada oficialmente.
'O mastro resistiu a todas as tempestades durante as três longas viagens de volta ao mundo sozinho, mas não resistiu à caneta do Iphan[...] Para um velejador, é quase tirar a alma!', disse Belov pouco antes de inaugurar o museu.
Ainda assim, a instalação do barco foi realizada com extremo cuidado. Parte do teto do casarão foi removida temporariamente, e um guindaste de grande porte içou lentamente as oito toneladas do 'Três Marias' até o interior do museu.
Nascido em 1943 na Ucrânia, durante a Segunda Guerra Mundial, Aleixo Belov construiu uma trajetória singular na história da navegação mundial. Ele veio para o Brasil em 1949, aos seis anos.
Além de ter realizado cinco voltas ao mundo, seu nome se destaca pelo fato de todas terem sido feitas em barcos concebidos e construídos por ele próprio.
O 'Três Marias' foi construído artesanalmente no quintal de sua casa, e acabaria se tornando símbolo de uma fase decisiva — e emocionalmente marcante — de sua vida.
Foi em março de 1980 que o barco, um veleiro Bruce Roberts de 36 pés, deixou o porto para iniciar a primeira volta ao mundo.
Anos depois, no livro 'A Volta ao Mundo em Solitário', Belov contou que precisou comprar a fibra de vidro e a resina a prazo 'pois não tinha um tostão no bolso'. Segundo ele, 'o casco tinha que sair de qualquer jeito”.
Entre 1980 e 2000, Belov completou três voltas ao mundo com o mesmo veleiro — a segunda em 1986 e a terceira no início do novo milênio.
'Para mim, ficou claro que o nome ‘Três Marias’ estava associado a um certo destino. O de dar três voltas ao mundo', destacou ele em seu livro.
Após encerrar esse ciclo, o navegador decidiu ir além: projetou e construiu o Veleiro 'Escola Fraternidade'. Com a embarcação maior, feita de aço, Belov realizou sua quarta e quinta voltas ao mundo — a última foi concluída em 2018.
Já em 2025, Belov alcançou mais um feito histórico: tornou-se o primeiro veleiro das Américas a cruzar integralmente a temida Passagem Nordeste, no extremo norte da Rússia.
Ele navegou mais de 4.500 milhas náuticas por águas russas até alcançar a Sibéria, sob temperaturas extremas.
Belov também foi professor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e dirige há décadas a Belov Engenharia, unindo conhecimento técnico e paixão pelo mar.