Até o fim da vida, o artista manteve uma relação intensa com a criação e com os grandes temas da existência humana.
Nascido em 21 de setembro de 1934, em Montreal, no Canadá, Leonard Norman Cohen cresceu em uma família judia de classe média e desde cedo demonstrou inclinação para a literatura.
Antes de se tornar conhecido como músico, construiu reputação sólida como poeta e romancista. Livros como “Let Us Compare Mythologies” e “The Spice-Box of Earth” o colocaram em evidência no cenário literário canadense ainda nos anos 1950 e 1960.
Sua escrita, marcada por espiritualidade, melancolia e reflexão filosófica, já antecipava muitos dos temas que depois migrariam para suas canções.
Em sua carreira literária, ele publicou 13 livros de poemas e dois romances - “The favourite game” e “Beautiful losers”.
A transição para a música ocorreu de forma gradual. Cohen começou a compor e cantar nos anos 1960, inicialmente inserido no universo do folk, mas sempre com uma abordagem singular.
Seu álbum de estreia, “Songs of Leonard Cohen” (1967), apresentou ao público um artista de voz grave e contida, mais próximo de um narrador do que de um intérprete convencional.
Canções como “Suzanne” e “So Long, Marianne” revelaram uma lírica intimista e sofisticada, que rapidamente conquistou ouvintes atentos às nuances emocionais e poéticas.
Ao longo das décadas seguintes, Leonard Cohen construiu uma obra musical consistente e profundamente influente, com fama especialmente na Europa.
Discos como “Songs of Love and Hate”, “New Skin for the Old Ceremony” e “Various Positions” consolidaram seu estilo austero e reflexivo.
Em “Various Positions” surgiu “Hallelujah”, canção que, apesar de inicialmente subestimada, se tornaria uma das mais reinterpretadas da história da música popular.
A composição ganhou vida própria ao longo dos anos, sendo regravada por dezenas de artistas e associada a contextos religiosos, românticos e existenciais, sempre mantendo sua ambiguidade original.
Ao longo dos anos 1990, Leonard Cohen se afastou gradualmente da música e da vida pública para se dedicar a uma intensa busca espiritual. Em 1994, ele se retirou para o Mount Baldy Zen Center, próximo a Los Angeles, onde passou cerca de cinco anos vivendo de forma reclusa, ordenando-se monge zen-budista em 1996 sob o nome Jikan, que pode ser traduzido como “silêncio”.
No início dos anos 2000, Cohen descobriu que sua ex-empresária havia desviado a maior parte de suas economias ao longo dos anos - um prejuízo estimado cinco milhões de dólares.
Diante da situação financeira e já em idade avançada, o artista decidiu retornar aos estúdios e aos palcos, movimento que acabou resultando em uma das fases mais elogiadas de sua carreira, com turnês bem-sucedidas e álbuns aclamados que redefiniram seu legado artístico.
Ãlbuns como â??Old Ideasâ?, â??Popular Problemsâ? e â??You Want It Darkerâ? foram lançados quando ele já ultrapassava os 70 e 80 anos, recebendo aclamação da crÃtica e do público.
Leonard Cohen morreu aos 82 anos, poucos dias após o lançamento de “You Want It Darker”, disco que muitos interpretaram como um testamento artístico.