A cerimônia do Globo de Ouro 2026, realizada no dia 11 de janeiro, em Los Angeles, foi marcada por um protesto de artistas contra recentes ações do ICE, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos.
Por FliparSem discursos diretos no palco, a manifestação ocorreu de forma simbólica e ganhou visibilidade ao longo do tapete vermelho e das entrevistas concedidas durante o evento.
Nomes como Jean Smart, Mark Ruffalo e Wanda Sykes optaram por usar broches personalizados presos à altura do peito, mantendo-os em evidência ao longo de toda a noite.
O gesto teve como objetivo criticar o governo de Donald Trump e prestar homenagem a Renee Good, cidadã norte-americana morta a tiros por um agente federal de imigração em Minneapolis, poucos dias antes da premiação.
Os broches traziam a inscrição “Be Good”, expressão que pode ser traduzida como “Seja bom”, mas que também faz referência direta ao sobrenome de Renee.
Em entrevista ao jornal â??USA Todayâ?, o ator Mark Ruffalo explicou a iniciativa e afirmou que o gesto era dedicado a Renee Nicole Good. Ele aproveitar o momento para fazer duras crÃticas à polÃtica externa e interna dos Estados Unidos na atual gestão presidencial.
Na mesma declaração, o ator acusou o presidente de desprezar leis internacionais e afirmou que o país vive um momento de grande instabilidade moral e política. “Estamos no meio de uma guerra com a Venezuela, que invadimos ilegalmente. Ele (Trump) está dizendo ao mundo que as leis internacionais não importam para ele. A única coisa que importa é sua própria moral”, declarou.
A campanha associada aos broches também buscou homenagear Keith Porter, outro homem morto por um agente do ICE, desta vez em Los Angeles, na véspera do Ano Novo.
A campanha #BeGood foi lançada em um momento especialmente sensível, após relatos de que 2025 teria sido um dos anos mais letais envolvendo ações do ICE nas últimas duas décadas.
Em entrevista à revista “Variety”, a comediante Wanda Sykes confirmou o significado do protesto e afirmou que o uso dos broches foi uma forma de se posicionar publicamente diante das mortes recentes.
A política anti-imigração de Donald Trump foi um dos eixos centrais de sua atuação política no primeiro mandato (2017 – 2021) e se intensificou no segundo, que começou em janeiro de 2025.
Com discurso de enfrentamento, ele associa a imigração irregular à criminalidade, perda de empregos e ameaça à segurança nacional.
Essa retórica serviu de base para a implementação de medidas restritivas que alteraram profundamente a política migratória dos Estados Unidos e ampliaram tensões internas e externas.
O governo reforçou a atuação de agências como o ICE e a Patrulha de Fronteira, ampliando detenções, deportações e operações em áreas urbanas.
A morte ocorrida em Minneapolis tornou-se um dos episódios mais emblemáticos e controversos ligados à atuação recente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos.
Renee Nicole Good, tinha 37 anos e havia acabado de se mudar para a cidade. Mãe de três filhos, ela foi morta a tiros por um agente federal de imigração, em um caso que rapidamente gerou comoção pública e questionamentos sobre o uso da força por autoridades ligadas à política migratória.
Lideranças locais afirmaram que Good atuava como observadora legal em ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE). O governo Trump, porém, passou a classificá-la como uma “terrorista doméstica”.
A morte de Good provocou protestos em várias cidades do país. Em muitas manifestações, participantes carregavam cartazes com a frase “Justiça por Renee”.