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Entre tambores e axé: a jornada do Ara Ketu no Carnaval


Um dos grupos mais emblemáticos da Bahia, o Ara Ketu surgiu em Salvador em 1980 como bloco afro. Transformado em banda em 1987, sempre carregando consigo a força da cultura popular, conquistou espaço no Carnaval e na memória afetiva de milhões de brasileiros.

 

Por Flipar
Reprodução do Facebook Ara Ketu

Desde o início, sua proposta foi unir música, dança e identidade, criando uma sonoridade que mistura axé, samba-reggae e pagode baiano. Com o nome de origem africana que significa “Povo de Queto” na tradição iorubá, o grupo se tornou símbolo de resistência e celebração cultural.

 

Reprodução do Flickr Prefeitura de Itanhaém

Essa escolha reforça a ligação do grupo com o candomblé e com a ancestralidade africana. Além disso, o nome também é interpretado como “Espírito do Tempo”, o que traduz sua capacidade de se reinventar e permanecer atual.

Divulgação

Fundado pelos primos Vera Lacerda e Augusto César Lacerda, o Ara Ketu nasceu na comunidade de Periperi, no subúrbio de Salvador, como um bloco carnavalesco que desfilava. A ideia era dar voz à cultura afro-baiana e fortalecer a identidade comunitária. Com o tempo, ganhou notoriedade.

Reprodução do Instagram @veradoaraketu

Nos primeiros anos, o Ara Ketu brilhou nos desfiles de Salvador, faturando títulos de campeão já em 1981 – a vitória foi seguida por outras conquistas até 1983. A energia contagiante e batida marcante atraíam multidões, tornando-o essencial no Carnaval, que virou palco de sua afirmação cultural.

Reprodução do Youtube

Em 1987, o Ara Ketu deu passo decisivo ao se transformar em banda, lançando seu primeiro álbum homônimo. Ao ampliar sua projeção nacional e internacional, levando o axé e o samba-reggae para além das ruas de Salvador, inaugurou uma nova fase, agora nos palcos e rádios em todo o Brasil.

Ara Ketu, uma banda de axé brasileira - Divulgação

A fundadora Vera Lacerda, mulher negra, suburbana e ligada ao candomblé, enfrentou preconceitos ao criar o bloco. Sua coragem, vista como ousadia, a fez transformar o Ara Ketu em símbolo de empoderamento. E escolher o Dia Internacional da Mulher para a fundação reforça essa luta.

Reprodução do Instagram @veradoaraketu

Com hits como “Ara Ketu é bom demais” e “Pipoca”, o grupo conquistou o Brasil nos anos 1990. Suas músicas embalavam festas e rádios, tornando-se trilha sonora de uma geração. A mistura de ritmos e letras alegres consolidou o Ara Ketu como ícone do axé.

Reprodução do Facebook Ara Ketu

O grupo, entretanto, não se limitou ao Brasil. Ao levar sua música para palcos internacionais com apresentações em países da Europa e América, divulgou a força da cultura baiana. Essa expansão reforçou sua relevância como embaixador do Carnaval e da música afro-brasileira.

Reprodução do Instagram @araketu

O primeiro álbum, lançado em 1987, foi um marco para o grupo. Com sonoridade vibrante e letras que exaltavam a alegria, o disco abriu portas para o sucesso nacional. A recepção positiva impulsionou o Ara Ketu para novos projetos e consolidou sua identidade musical.

Ara Ketu, uma banda de axé brasileira - Divulgação

O Ara Ketu mistura axé, samba-reggae e pagode baiano, criando uma sonoridade única. Essa fusão de ritmos traduz a diversidade cultural da Bahia e conecta tradição e modernidade. O resultado é uma música vibrante, que convida à dança e celebra a vida.

Reprodução do Instagram @araketu

Ao longo dos anos, o grupo teve diferentes formações, com nomes como Tatau, Larissa Luz e Érico Brás entre os ex-integrantes. Atualmente, Guga Camamfeu é o vocalista. Essa renovação constante mantém o Ara Ketu vivo e dinâmico.

Reprodução de Instagrams @araketu

As cores azul e branco, inspiradas no orixá Oxóssi, são marca registrada do Ara Ketu. Elas aparecem em fantasias, cenários e materiais gráficos, reforçando a identidade visual do grupo. Essa estética conecta espiritualidade e cultura popular.

Reprodução do Instagram @araketu

O Ara Ketu sempre se posicionou como símbolo de resistência cultural e social. Ao dar voz às comunidades periféricas e valorizar a herança africana, o grupo se tornou referência de luta e afirmação. Essa postura fortalece sua relevância além da música.

Reprodução do Instagram @veradoaraketu

Mesmo após quatro décadas, o Ara Ketu continua a marcar presença frequente no Carnaval de Salvador. Seus desfiles atraem multidões e mantêm viva a tradição do bloco afro. A energia contagiante garante que o grupo permaneça indispensável na festa.

Reprodução do Instagram @veradoaraketu

O legado do Ara Ketu está em suas músicas atemporais, que continuam a ser lembradas e cantadas. Canções como “Mal Acostumado”, por exemplo, marcaram época e ainda embalam festas e celebrações. Esse repertório é parte da memória coletiva brasileira.

- Reprodução do Youtube

Ao longo dos anos, o Ara Ketu recebeu prêmios e homenagens, entre eles três edições do Troféu Dodô e Osmar, além do Troféu Caymmi, Troféu Raça Negra, Press Ward, entre outros. Seu impacto vai além das vendas de discos, alcançando reconhecimento cultural e social.

Reprodução do Facebook

O Ara Ketu celebra mais de quatro décadas de história, com novos projetos e apresentações. Desse modo, o grupo continua a inspirar gerações com uma trajetória que confirma: tradição e inovação podem caminhar juntas, mantendo viva a essência do Carnaval.

Reprodução do Instagram @araketu