A cantora Astrud Gilberto foi a primeira mulher a vencer o Grammy na categoria Gravação do Ano. O prêmio, concedido em 1965, também a tornou a primeira brasileira a receber a mais importante distinção da música internacional.
Por FliparAstrud, que morreu em junho de 2023, aos 83 anos, teve uma carreira diretamente ligada à projeção global da bossa nova. O Flipar relembra a seguir a sua trajetória.
Astrud Evangelina Weinert, conhecida artisticamente como Astrud Gilberto, nasceu em Salvador em 29 de março de 1940 e morreu na cidade de Filadélfia, nos Estados Unidos, em 5 de junho de 2023.
Cantora brasileira de projeção internacional, ela construiu uma carreira associada à bossa nova e ao jazz e entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a vencer o Grammy de Música do Ano.
Apesar de ser brasileira, Astrud construiu praticamente toda a sua trajetória artística fora do país e tornou-se mais conhecida no exterior do que no Brasil.
Durante a adolescência, ela foi incentivada pela amiga Nara Leão, que se tornaria um das cantoras mais famosas do Brasil, a se aproximar da música.
Nara foi responsável por apresentar Astrud ao cantor e violonista João Gilberto, que se tornaria seu marido e principal apoiador no início da carreira. Eles se casaram em 1959 e, no ano seguinte, Astrud engravidou do primeiro filho, João Marcelo.
A estreia da cantora nos palcos ocorreu em maio de 1960, no espetáculo “A Noite do Amor, do Sorriso e da Flor”, realizado no anfiteatro da Faculdade de Arquitetura da UFRJ para celebrar o lançamento do segundo álbum de João Gilberto. O evento reuniu diversos nomes importantes da música brasileira e foi produzido e apresentado por Ronaldo Bôscoli.
Em 1963, Astrud e João se mudaram para os Estados Unidos. No mesmo ano, ela participou das gravações do álbum “Getz/Gilberto”, ao lado do marido e do saxofonista Stan Getz, com arranjos de Tom Jobim.
O enorme sucesso do disco resultou no Grammy de Álbum do Ano e de Gravação do Ano, com “Garota de Ipanema”.
Astrud também concorreu como artista revelação e Melhor Performance Feminina, mas foi superada nessas categorias pelos Beatles e Barbra Streisand, respectivamente.
No ano seguinte, Astrud lançou seu primeiro álbum solo e deu início a uma produção contínua.
Entre 1965 e 2002, gravou dezoito discos solo, interpretando bossa nova, MPB, standards do jazz e canções americanas e europeias em diferentes idiomas, como inglês, espanhol, francês, italiano e alemão.
O sucesso alcançado com “Garota de Ipanema” consolidou seu nome no cenário do jazz e impulsionou a carreira solo.
A partir da década de 1970, Astrud passou também a gravar composições próprias. Sua influência atravessou gerações e estilos, sendo homenageada em obras como a canção “Astrud”, interpretada pela cantora polonesa Basia.
Além do Grammy de Música do Ano em 1965, ela recebeu outras premiações importantes ao longo da carreira, como o prêmio Latin Jazz USA pelo conjunto da obra em 1992 e a inclusão no International Latin Music Hall of Fame em 2002.
Radicada nos Estados Unidos, Astrud viveu até o fim da vida na Filadélfia, ao lado dos filhos Marcelo Gilberto, baixista nascido em 1960 do casamento com João Gilberto, e Greg Lasorsa, de seu segundo casamento, com Nicholas Lasorsa (foto).
Além da música, ela também se destacou como artista plástica e por seu ativismo em defesa dos direitos dos animais. A morte da cantora foi anunciada em 5 de junho de 2023 por sua neta Sofia Gilberto em uma rede social.