Ao longo da vida, Aleixo Belov reuniu um vasto acervo ligado à navegação, que deu origem ao Museu do Mar Aleixo Belov, inaugurado em 2021 em Salvador.
Por FliparTodo esse acervo inclui cartas náuticas, instrumentos de navegação, fotografias, bússolas, conchas de diferentes oceanos, objetos diversos e uma vasta biblioteca especializada passou.
Idealizado pelo próprio navegador, o museu é dedicado à cultura marítima e à história da navegação.
Instalado em um casarão histórico no Largo de Santo Antônio Além do Carmo, o espaço abriga o “Três Marias” como sua peça central — o nome foi dado em homenagem às suas duas filhas, chamadas Maria, e a então esposa, Maria Belov.
Foi a bordo do emblemático veleiro que Belov deu suas três primeiras voltas ao mundo. Levar a embarcação para dentro do edifício exigiu uma operação complexa.
Belov chegou a consultar o Iphan sobre a possibilidade de manter uma abertura permanente no teto do imóvel, evitando o corte do mastro. Embora a ideia tenha sido aceita inicialmente, acabou rejeitada oficialmente.
“O mastro resistiu a todas as tempestades durante as três longas viagens de volta ao mundo sozinho, mas não resistiu à caneta do Iphan[…] Para um velejador, é quase tirar a alma!”, disse Belov pouco antes de inaugurar o museu.
Ainda assim, a instalação do barco foi realizada com extremo cuidado. Parte do teto do casarão foi removida temporariamente, e um guindaste de grande porte içou lentamente as oito toneladas do “Três Marias” até o interior do museu.
Nascido em 1943 na Ucrânia, durante a Segunda Guerra Mundial, Aleixo Belov construiu uma trajetória singular na história da navegação mundial. Ele veio para o Brasil em 1949, aos seis anos.
Além de ter realizado cinco voltas ao mundo, seu nome se destaca pelo fato de todas terem sido feitas em barcos concebidos e construídos por ele próprio.
O “Três Marias” foi construído artesanalmente no quintal de sua casa, e acabaria se tornando símbolo de uma fase decisiva — e emocionalmente marcante — de sua vida.
Foi em março de 1980 que o barco, um veleiro Bruce Roberts de 36 pés, deixou o porto para iniciar a primeira volta ao mundo.
Anos depois, no livro “A Volta ao Mundo em Solitário”, Belov contou que precisou comprar a fibra de vidro e a resina a prazo “pois não tinha um tostão no bolso”. Segundo ele, “o casco tinha que sair de qualquer jeito”.
Entre 1980 e 2000, Belov completou três voltas ao mundo com o mesmo veleiro — a segunda em 1986 e a terceira no início do novo milênio.
“Para mim, ficou claro que o nome ‘Três Marias’ estava associado a um certo destino. O de dar três voltas ao mundo”, destacou ele em seu livro.
Após encerrar esse ciclo, o navegador decidiu ir além: projetou e construiu o Veleiro “Escola Fraternidade”. Com a embarcação maior, feita de aço, Belov realizou sua quarta e quinta voltas ao mundo â?? a última foi concluÃda em 2018.
Já em 2025, Belov alcançou mais um feito histórico: tornou-se o primeiro veleiro das Américas a cruzar integralmente a temida Passagem Nordeste, no extremo norte da Rússia.
Ele navegou mais de 4.500 milhas náuticas por águas russas até alcançar a Sibéria, sob temperaturas extremas.
Belov também foi professor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e dirige há décadas a Belov Engenharia, unindo conhecimento técnico e paixão pelo mar.