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Do Império Bizantino ao mundo contemporâneo: o que são as igrejas ortodoxas


As igrejas ortodoxas formam uma das principais tradições do cristianismo, com raízes que remontam aos primeiros séculos da fé. Elas preservam ritos antigos, uma teologia marcada pela continuidade histórica e uma espiritualidade que valoriza a liturgia como experiência profunda de encontro com o divino.

Por Flipar
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A Igreja Ortodoxa é uma comunhão de igrejas cristãs independentes, chamadas de autocéfalas, que compartilham a mesma fé e prática. Embora cada uma tenha sua própria administração, todas se reconhecem como parte de uma mesma tradição espiritual. Sua origem está ligada ao cristianismo primitivo e ao Império Bizantino.

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Após o Grande Cisma de 1054, evento que causou a ruptura da Igreja Católica, separando-a em duas: Igreja Católica Apostólica Romana e Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, quando os líderes da Igreja de Constantinopla (Patriarca Miguel I Cerulário) e da Igreja de Roma (Papa Leão Nono), sem chegarem a um acordo, se excomungaram mutuamente.

 

Pentecostes' - Vasco Fernandes - século XVI

Essa imagem representa o brasão do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, autoridade histórica central da Igreja Ortodoxa. A águia de duas cabeças, herança do Império Bizantino, simboliza a continuidade espiritual, a tradição e a liderança histórica da Ortodoxia cristã.

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Apesar de a ortodoxia se consolidar como uma vertente distinta do catolicismo romano, mantém a crença nos sete concílios ecumênicos, na Trindade e na encarnação de Cristo. A teologia enfatiza a divinização do ser humano, ou seja, o processo de se tornar semelhante a Deus por meio da graça.

 

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Trata-se nada menos do que a segunda maior comunidade cristã. Afinal, reúne aproximadamente 250 milhões de fiéis em todo mundo, especialmente nos país do Leste Europeu.

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Os ícones são considerados janelas para o divino, além dos cantos e rituais solenes. Mais do que arte, eles são parte da oração e da liturgia, ajudando os fiéis a contemplar o mistério da fé e a presença de Cristo e dos santos. A celebração da Eucaristia é o momento central da vida comunitária.

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Não existe um papa na ortodoxia. Cada igreja nacional é liderada por um patriarca ou arcebispo, e todos são considerados iguais em dignidade. O Patriarca de Constantinopla é visto como “primeiro entre iguais”. Bartolomeu I ocupa a função desde 22 de outubro de 1991.

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Majoritária em países como Grécia, Rússia, Ucrânia, Sérvia, Montenegro, Bulgária, Romênia, Macedônia do Norte, Geórgia, Moldávia e Chipre, a religião ortodoxa exerce forte influência cultural e política, moldando tradições locais em cada uma dessas nações.

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Com a migração, comunidades ortodoxas se espalharam pelo mundo. Hoje, há minorias significativas em países das Américas, Europa Ocidental e Austrália, mantendo viva a tradição fora de seus territórios originais. A saber, Síria, Iraque, Cazaquistão, Alemanha, Espanha, Bósnia e Herzegovina, Líbano, Estados Unidos e Uzbequistão.

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A Igreja Ortodoxa Russa é a maior em número de fiéis, com cerca de 100 milhões de membros. Ela desempenhou papel central na identidade nacional e atravessou períodos de perseguição, especialmente durante o regime soviético, mas ressurgiu com força após sua queda. A Catedral de São Basílio em Moscou é uma das mais conhecidas do mundo.

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Na Grécia, por sua vez, a ortodoxia é religião oficial e está profundamente ligada à cultura. Festas religiosas, procissões e o uso de ícones fazem parte da vida cotidiana, reforçando a presença da fé no espaço público.

Já a Igreja Ortodoxa da Sérvia é símbolo obrigatório da identidade nacional. Seus mosteiros medievais são patrimônios culturais e espirituais, e a fé ortodoxa ajudou a manter a coesão do povo em períodos de conflito.

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Na Romênia, a ortodoxia é predominante e se manifesta em uma rica tradição arquitetônica. Igrejas e mosteiros tingidos com afrescos coloridos são marcas da religiosidade popular e da arte sacra.

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Enquanto isso, a Igreja Ortodoxa da Búlgara tem raízes antigas e foi fundamental na preservação da língua e da cultura durante séculos de dominação estrangeira. Sua liturgia em eslavônico antigo reforça a identidade nacional.

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Na Geórgia, a ortodoxia é parte inseparável da história. A conversão do país no século 4 moldou sua cultura, e até hoje a fé é vista como elemento de resistência e unidade nacional.

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Celebração mais importante das igrejas ortodoxas, a Páscoa é marcada por rituais que simbolizam a vitória da vida sobre a morte. Outras festas, como o Natal e a Epifania, também têm grande significado espiritual e comunitário.

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Embora compartilhem raízes comuns, ortodoxos e católicos divergem em pontos como a autoridade papal e algumas formulações teológicas. Mas ambos mantêm a tradição sacramental e a veneração dos santos, às vezes com trajes e detalhes diferentes, mas com o mesmo sentido. Na foto, São Jorge na Igreja Ortodoxa da Bulgária.

reprodução / Igreja São Jorge em Sofia

As igrejas ortodoxas representam, portanto, uma vertente do cristianismo que une tradição, espiritualidade e identidade cultural. Presentes em diversos países, elas preservam ritos milenares e continuam a inspirar milhões de fiéis em sua busca pelo sagrado.

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