Educação

Maioria dos lusófonos escolheria Portugal para lar; Brasil líder em cultura


Uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), chamada Barômetro da Lusofonia, revela que 62% dos habitantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) escolheriam Portugal como lugar para viver.

 

Por Flipar
Imagem de Pedro Grão por Pixabay

Essa preferência mostra como Portugal é visto como destino de estabilidade e oportunidades, ainda que os próprios portugueses percebam um ambiente desfavorável para estrangeiros. O Brasil, por sua vez, aparece em segundo lugar, com 32% dos entrevistados.

Reprodução TV Band

A CPLP reúne nove nações em quatro continentes e 300 milhões de habitantes. O estudo, que revela como esses povos se relacionam culturalmente, politicamente e socialmente, observa vínculos simbólicos e identitários às vezes despercebidos. Assim, oferece retrato amplo do potencial do mundo lusófono.

Domínio público

O relatório explica que a percepção negativa dos portugueses em relação a estrangeiros está ligada ao contexto europeu. A expansão de discursos políticos radicais contrários à imigração influencia na visão da população, criando tensões que contrastam com o desejo de outros lusófonos de viver em Portugal.

 

Lacobrigo / Wikimedia Commons

Apontado por 68% dos entrevistados como o principal exportador de produtos culturais, o Brasil tem um papel de potência cultural, capaz de irradiar música, literatura e audiovisual para todo o espaço lusófono. Já Portugal ocupa a segundo posição, com 56%.

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No quesito “democracia”, Cabo Verde chama atenção. Afinal, é um dos poucos países africanos bem pontuado no V-Dem, o principal ranking do mundo sobre qualidade democráfica. Assim, se destaca como “democracia eleitoral”, ao lado de Brasil e Portugal.

 

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Ainda de acordo com Barômetro da Lusofonia, Cabo Verde lidera em representatividade feminina no parlamento e ocupa o segundo lugar em igualdade de gênero, ficando atrás somente de Portugal. Quando perguntados, porém, sobre a satisfação com a democracia, apenas 27% acena positivamente.

Apesar dos bons indicadores, apenas 27% dos cabo-verdianos dizem estar satisfeitos com sua democracia. Esse dado mostra que eleições livres não bastam: os cidadãos querem que a democracia resolva problema

Ernest Niedermann wikimedia commons

Em Portugal, a televisão é o principal meio de informação, citada por 74% dos entrevistados. Esse dado reforça a centralidade da TV como veículo de credibilidade e alcance, mesmo em tempos de digitalização acelerada.

Reprodução de vídeo TV Globo

No Brasil, as redes sociais lideram como fonte de informação, com 50%. Em seguida aparecem sites e portais (44%), e só depois a televisão (38%). Isso mostra como o ambiente digital molda a opinião pública brasileira.

Portugal (83%) e Brasil (80%) lideram em número de cidadãos que já receberam fake news. No entanto, os brasileiros são os que mais se preocupam com os impactos da desinformação, com 77% demonstrando inquietação.

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Apesar de ser pentacampeão mundial, o Brasil não é a principal referência em futebol para os lusófonos: 54% preferem acompanhar clubes portugueses, que disputam ligas europeias de maior visibilidade. O futebol brasileiro é seguido por apenas 31%. Na foto, o Estádio da Luz, em Lisboa.

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Saúde, educação e desemprego aparecem como as maiores preocupações em todos os países pesquisados. Esses temas refletem desafios estruturais comuns, que atravessam fronteiras e impactam diretamente a vida cotidiana.

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Quase todos os entrevistados defendem que o estudo sobre o tráfico de pessoas escravizadas seja obrigatório nas escolas. Essa reivindicação mostra a necessidade de enfrentar o passado para construir sociedades mais conscientes e justas.

Sumaia Vilela / Agência Brasil

A união entre pessoas do mesmo gênero é rejeitada pela maioria em seis dos oito países pesquisados. Apenas Portugal e Brasil aparecem como exceções, revelando maior abertura em relação à diversidade afetiva.

42 North por Pexels

O Barômetro destaca que os vínculos culturais e simbólicos entre os países da CPLP são fortes, mas muitas vezes invisíveis nas análises tradicionais. A pesquisa, que busca dar visibilidade a essas conexões, contou com parcerias de universidades e organizações da sociedade civil.

imagem gerada por i.a

O Ipespe pretende tornar o Barômetro da Lusofonia bianual. Assim, será possível acompanhar a evolução das percepções e vínculos entre os países ao longo do tempo, ampliando o alcance e a profundidade das conclusões.

Foram entrevistadas 5.688 pessoas em oito países: Portugal, Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe (foto), Guiné-Bissau, Angola, Moçambique e Timor Leste. Essa diversidade garante representatividade e riqueza de perspectivas.

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