Roer unhas pode parecer apenas uma mania, mas é considerado um hábito patológico e distúrbio de higiene. Pode surgir como resposta à ansiedade, estresse ou tédio, trazendo alívio momentâneo. Mas com o tempo, o cérebro aprende a repetir esse gesto, transformando-o em um hábito difícil de controlar e capaz de gerar impactos físicos, emocionais e sociais.
Por FliparA onicofagia é o termo médico para o ato de roer unhas, podendo atingir tanto mãos quanto pés. Esse comportamento, segundo a Psychology Today, é classificado como um hábito oral patológico e pode se encaixar em transtornos repetitivos focados no corpo, como cutucar a pele ou puxar fios de cabelo.
Embora nem sempre seja sinal de um transtorno grave, o ato funciona como válvula de escape à ansiedade, trazendo alívio rápido em situações de tensão, como provas, reuniões ou conversas difíceis, mas sem resolver a causa real do desconforto.
Muitas vezes, a mania começa na infância, por volta dos quatro ou cinco anos, seja por imitação de familiares ou por simples curiosidade. Com a adolescência, fatores hormonais podem intensificar a prática, aumentando as chances de que ela acompanhe a pessoa por toda a vida.
Nem sempre a onicofagia está ligada a um transtorno psicológico. Em alguns casos, é apenas uma mania que se perpetua, mesmo em períodos de tranquilidade. Ainda assim, quando o hábito se torna incontrolável, pode trazer prejuízos significativos.
Pesquisas e relatos clínicos atestam que pessoas impacientes ou perfeccionistas tendem a roer mais as unhas. Pequenas falhas nas unhas ou momentos de monotonia podem ser gatilhos, levando os dedos à boca como forma de lidar com o incômodo ou com o ócio.
Fisicamente, roer unhas as enfraquecem e deformam, machuca a pele ao redor e inflama as cutículas. Ferimentos constantes funcionam como porta de entrada para bactérias e fungos, aumentando o risco de infecções e até de problemas dentários e gengivais.
Além dos danos físicos, a onicofagia pode gerar vergonha e insegurança. Muitas pessoas evitam mostrar as mãos, usar anéis ou cumprimentar com aperto de mão, o que compromete a confiança em situações sociais e profissionais. Para algumas, só a expectativa de ter que encontrar pessoas já gera mal-estar.
O hábito passa dos limites quando há dor, sangramentos frequentes, infecções recorrentes ou dificuldade em controlar o impulso. A sensação de alívio seguida de culpa também indica que o comportamento está mais intenso e pode exigir ajuda profissional.
Ao levar os dedos à boca, microrganismos acumulados nas unhas entram diretamente no organismo. Isso pode provocar desde infecções até verminoses, mostrando que a onicofagia vai muito além de um problema estético.
Roer unhas desgasta o esmalte dos dentes, altera o posicionamento dental e pode causar bruxismo. Além disso, aumenta o risco de lesões na mucosa e no periodonto, comprometendo a saúde bucal de forma significativa.
O contato constante entre unhas e boca favorece infecções bucais e pode atingir o trato digestivo. Assim, o hábito não apenas prejudica as mãos, mas também afeta diretamente o sistema gastrointestinal.
Muitas pessoas relatam evitar fotos ou encontros por causa da aparência das mãos. Tal constrangimento pode levar, inclusive, ao isolamento social, reforçando o ciclo de ansiedade e manutenção do hábito.
Se o hábito causa dor, vergonha ou atrapalha tarefas cotidianas, é hora de procurar orientação profissional.Psicólogos e médicos psiquiatras podem ajudar a identificar causas emocionais e indicar estratégias adequadas para o controle.
Manter as unhas bem cortadas reduz a tentação de roê-las. Além disso, ocupar as mãos com trabalhos manuais ou instrumentos ajuda a desviar o foco, diminuindo a frequência do comportamento.
Mordedores de borracha ou chicletes sem açúcar podem servir como alternativas para aliviar a ansiedade em momentos críticos. Essas substituições reduzem o impulso de levar os dedos à boca, sem causar danos físicos.
Nos casos leves, a motivação da própria pessoa é essencial para superar o hábito. Estabelecer metas, recompensas e monitorar os avanços pode ser um caminho eficaz para reduzir a onicofagia.
Em situações mais graves, pode ser necessário recorrer a tratamento médico. Em alguns casos, medicamentos para controlar a ansiedade são prescritos, sempre com acompanhamento profissional para evitar riscos.
Controlar a onicofagia não é apenas uma questão estética, mas de saúde e bem-estar. Ao superar o hábito, a pessoa ganha confiança, reduz riscos de doenças e melhora sua qualidade de vida, mostrando que pequenas mudanças podem trazer grandes benefícios.