As abelhas amazônicas da província de Satipo, no Peru, tornaram-se os primeiros insetos do mundo a ter direitos reconhecidos por lei. Não entendeu? O Flipar te explica! A legislação é válida na área da Reserva de Biosfera Avireri Vraem.
Por FliparEla reconhece esses insetos como “sujeitos de direitos” e permite que sejam representados judicialmente sempre que sua sobrevivência ou habitat estiverem ameaçados. A norma abrange abelhas sem ferrão do grupo Meliponinos, aliás.
Assim, garante o direito à existência, a populações saudáveis e a ambientes livres de poluição. A lei também proíbe pesticidas químicos, a destruição de colmeias e autoriza defensores ambientais e povos indígenas a acionarem a Justiça em nome das abelhas.
Recentemente, pesquisa do Rede Biota Cerrado, financiada pelo CNPq, descobriu abelhas únicas na Chapada dos Veadeiros. O estudo da Universidade de Brasília, visa a mapear essas espécies, avaliar suas populações e acompanhar riscos ambientais.
O professor alerta que mudanças climáticas podem extinguir abelhas únicas da Chapada dos Veadeiros e destaca a importância do monitoramento e preservação das espécies.
O projeto envolve estudantes na coleta de abelhas e na análise genética das populações na Chapada dos Veadeiros, com pesquisas realizadas no Santuário Fazenda Volta da Serra, que apoia a ciência há mais de 20 anos.
A redução no número de abelhas, aliás, preocupa ambientalistas e produtores rurais em todo o mundo. Mais da metade dos cultivos do planeta dependem da polinização de abelhas e outros insetos, de acordo com o site New Scientist.
Inseticidas, desmatamento e mudanças climáticas são apontados como os principais fatores que resultam no desaparecimento delas.
Por isso, cientistas vêm tentando desenvolver mecanismos que possam substituir, ou pelo menos se juntar às abelhas na polinização de plantas. No Japão, em 2017, pesquisadores criaram um drone para substituir a abelha na polinização cruzada.
Esse tipo de polinização ocorre quando o inseto leva o pólen de uma flor até outra flor, no processo de reprodução da planta. O estudo foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada.
O drone-abelha tem 4 centímetros e pesa 15 gramas. A parte inferior do equipamento é coberta com crina e um gel “grudento” para pegar o pólen de uma flor e deixá-lo em outra.
Os testes foram feitos em plantações de lírio. Mas houve danos às flores e, por isso, os pesquisadores decidiram aprimorar os mecanismos.
Em 2022, pesquisadores da University College London e da Empa – Materiais e Tecnologias para um Futuro Sustentável – fizeram testes com drones colaborativos inspirados no comportamento das abelhas.
Engenheiros da Universidade de Washington anunciaram a criação de um sistema de sensores que utilizam o ciclo natural de vida das abelhas para monitorar informações de temperatura, umidade e intensidade da luz..
Mas todos sabem que nada poderá substituir a natureza à altura. E o bom mesmo é ter as abelhas! Então, a hora é de preservar. Embora sejam associadas à produção de mel, elas também são fundamentais para o equilíbrio ambiental.
As abelhas vivem em grupos e desempenham atividades que impactam a natureza de diferentes formas.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revelam que 70% de todas as culturas agrícolas são polinizadas por abelhas. Portanto, uma grande parte dos alimentos consumidos pelas pessoas depende da polinização das abelhas.
A ação das abelhas no meio ambiente também colabora para a preservação das matas nativas, já que 85% das plantas florestas são polinizadas por esses insetos.
Na Mata Atlântica, por exemplo, um importante bioma do Brasil, 90% das espécies vegetais são polinizadas por abelhas.