A recente descoberta de um abrigo rochoso com arte rupestre no sul do deserto do Sinai, Egito, abre uma janela fascinante para cerca de 10 mil anos de história. O sítio revela práticas cotidianas de povos que antecederam a formação do Estado faraônico, mostrando como o Sinai foi palco de interações humanas muito antes da consolidação da civilização egípcia.
Por FliparAs manifestações mais antigas, datadas entre 10.000 e 5.500 a.C., mostram cenas de caça, como a figura de um homem com arco acompanhado de cães. Essas imagens revelam práticas de subsistência e a relação de enorme proximidade entre humanos e animais na luta pela sobrevivência.
Ao longo dos milênios, as representações rupestres do Sinai mudaram, acompanhando transformações sociais e tecnológicas entre a Antiguidade e a Idade Média.
Desenhos mais recentes mostram pessoas a cavalo e armadas, indicando novas formas de organização.
O abrigo também exibe símbolos geométricos que podem ter servido como códigos ou expressões de crenças, revelando a riqueza cultural desses povos.
Entre os registros, há inscrições atribuídas aos nabateus, povo que floresceu entre 400 a.C. e 200 d.C. e que construiu Petra, na Jordânia (foto). A presença desses sinais indica a amplitude das redes culturais e comerciais que cruzavam o Sinai.
A proximidade com minas de cobre e turquesa explica a ocupação contínua do abrigo. Esses recursos minerais eram altamente valorizados no Egito antigo, tornando o Sinai estratégico tanto economicamente quanto simbolicamente.
O Sinai era considerado o lar da deusa Hathor, “Senhora da Turquesa”, disse, ao Live Science, Jhon Darnell, professor de egiptologia da Universidade de Yale e que já fez pesquisas extensas na região, embora não tenha participado da descoberta. A associação reforça a importância espiritual da região, que era fonte de riqueza material, além de devoção e mitologia.
Segundo especialistas, o abrigo foi usado como ponto de observação e descanso ao longo dos séculos. Essa função prática, somada ao valor simbólico, explica por que o local preservou tantas camadas de registros visuais.
As imagens de camelos e inscrições árabes medievais mostram que o Sinai continuou sendo rota de passagem e intercâmbio cultural, conectando povos do Mediterrâneo, da Península Arábica e do Levante.
Os desenhos de cavaleiros armados refletem mudanças na mobilidade e na guerra. O cavalo, introduzido no Egito por volta do segundo milênio a.C., revolucionou a forma como sociedades se organizavam e defendiam seus territórios.
A Península do Sinai é uma região pertencente ao Egito. Cercada pelo Mar Mediterrâneo ao norte e pelo Mar Vermelho ao sul, forma uma ponte natural entre continentes. Ao longo da história, foi rota de povos, exércitos e comerciantes. Um espaço de encontros, conflitos e trocas culturais que moldaram civilizações.
Do ponto de vista religioso, a península ocupa lugar central nas tradições judaica, cristã e islâmica. Segundo a Bíblia, foi nessa região que Moisés conduziu o povo hebreu durante o êxodo pelo deserto.
A combinação de patrimônio arqueológico, paisagens áridas e tradições milenares faz da península um território de grande relevância cultural. Mesmo hoje, continua despertando interesse mundial, sendo importante ponto turístico.
O Sinai combina turismo religioso, histórico e ecológico
Em 2025, o total de turistas no Egito continuou alto, com mais de 15 milhões de visitantes registrados até setembro