A ascensão da inteligência artificial no mercado musical deixou de ser uma previsão distópica para se tornar uma realidade avassaladora nos serviços de streaming.
Por FliparApenas em 2025, foram identificadas mais de 13 milhões de músicas criadas de forma 100% digital.
O dado mais preocupante, porém, está no consumo: aproximadamente 85% dos streams dessas faixas foram considerados fraudulentos, gerados por robôs ou esquemas artificiais de reprodução.
Esse tipo de prática burla as regras de remuneração e distorce a divisão dos royalties a serem distribuídos. Quando a Deezer detecta fraude, deixa de pagar os valores correspondentes.
Já o Spotify não divulga números específicos sobre músicas de IA, mas afirma ter removido mais de 75 milhões de faixas de spam entre 2024 e 2025.
As fraudes em serviços de streaming não são inéditas, mas a IA tornou o processo mais rápido, barato e acessível.
Nas redes sociais, existem cursos que prometem renda fácil com músicas geradas em segundos. “Com a inteligência artificial, em questão de segundos conseguimos criar músicas incríveis”, divulga um perfil no Instagram.
“Sendo bem sincero pra vocês: essa é a forma mais simples pra você construir uma fonte de renda na internet”, diz a pessoa em outro post.
Atualmente, nenhuma grande plataforma proíbe músicas feitas com IA; o problema está no uso abusivo dessas tecnologias para enganar os sistemas.
Segundo o próprio Spotify, práticas como envios em massa e conteúdos artificiais de baixa qualidade se tornaram mais comuns com a automação.
O impacto recai diretamente sobre artistas profissionais: quanto mais streams — inclusive falsos —, menor a fatia para quem joga dentro das regras.
O Spotify promete implementar medidas semelhantes de forma gradual. “Queremos ter cuidado para não penalizar injustamente artistas legítimos”, informou a empresa.
O selo Blow Records, criado pelo produtor Raul Vinicius, também viralizou ao lançar versões retrô de funks com ajuda de IA.
Outro caso é “São Paulo”, paródia não autorizada de “Empire State of Mind”, de Jay-Z e Alicia Keys, interpretada pela personagem virtual Tocanna.
Apesar da repercussão, pesquisas indicam resistência do público, embora a maioria das pessoas não consiga distinguir uma canção criada por humanos de outra feita por IA.