A estratégia adotada pelos Estados Unidos para tentar mitigar o impacto do turismo excessivo em suas reservas naturais ganhou novos contornos com a implementação de novas taxas em 2026.
Por FliparO país tem um enorme sistema de áreas protegidas administradas pelo governo federal, formado por 433 unidades que ocupam cerca de 34 milhões de hectares.
Esses parques oferecem uma grande variedade de paisagens e atrações naturais, atraindo milhões de visitantes todos os anos, mas enfrenta o desafio de ter metade de seu fluxo de visitantes concentrado em apenas 25 localidades.
Para tentar aliviar essa pressão, o governo dos Estados Unidos instituiu, em 2026, uma taxa adicional para turistas estrangeiros que visitam alguns dos parques mais populares.
Na prática, porém, a nova regra trouxe alguns efeitos inesperados. Relatos indicam que as filas de entrada em certos parques ficaram ainda maiores, já que os funcionários agora precisam verificar documentos e confirmar a cidadania de cada visitante.
Profissionais que trabalham dentro e ao redor dessas áreas naturais demonstram ceticismo quanto à eficácia da medida, como afirmou um dos fundadores da EXP Journeys, que oferece experiências em alguns parques famosos.
“É improvável que o aumento dos ingressos, sozinho, reduza significativamente o turismo excessivo na alta estação”, declarou Kevin Jackson.
“A demanda pelos parques emblemáticos permanece alta e, para o tipo de viagens que oferecemos, o ingresso mais caro representa um percentual relativamente pequeno do custo total da viagem”, justificou.
Mesmo assim, Jackson observa que alguns turistas estrangeiros podem acabar escolhendo destinos menos famosos, onde a sobretaxa não existe, como o Parque Nacional de Canyonlands por exemplo.
Para Dulani Porter, vice-presidente executiva da empresa de marketing turístico SPARK, a questão vai além do preço dos ingressos: “O turismo excessivo é fundamentalmente uma questão sistêmica”.
Ela lembra que o grande fluxo de pessoas em parques como Parque Nacional de Zion e Yosemite está fortemente ligado a fatores internos dos Estados Unidos, como as férias de verão, os calendários escolares e as limitações da infraestrutura, incluindo estradas e estacionamentos.
Ela também destaca possíveis impactos econômicos nas cidades próximas aos parques, já que turistas internacionais costumam gastar mais durante as viagens, contribuindo significativamente para hotéis, restaurantes e empresas de turismo locais.