Com cores metálicas marcantes e hábitos discretos no alto das árvores, essas espécies chamaram a atenção do mercado internacional de animais exóticos, tornando-se alvo de colecionadores e traficantes.
Entre elas, destaca-se a Typhochlaena curumim, inicialmente conhecida apenas por poucos exemplares encontrados na Paraíba e posteriormente registrada também no Rio Grande do Norte e no Ceará.
O comércio dessas aranhas é impulsionado por colecionadores na Europa e América do Norte. Para burlar a fiscalização, os traficantes utilizam o esquema conhecido como 'brown-boxing'.
Nesse método, o envio das aranhas é feito em pequenas encomendas postais discretas, sem identificação, o que permite que animais capturados ilegalmente na natureza cheguem rapidamente ao exterior.
Relatórios da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS) indicam que o tráfico de animais silvestres movimenta bilhões de dólares por ano e está associado a redes criminosas internacionais.
Além disso, o comércio ilegal de animais silvestres sofre com a fiscalização limitada e falta de dados precisos sobre o volume real de exemplares retirados da natureza, conforme aponta o RENCTAS.
Diante desse cenário, pesquisadores defendem medidas de proteção internacional, como a inclusão dessas espécies em acordos como a CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas) e na lista global da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Eles destacam ainda que a falta de informações sobre distribuição e tamanho populacional dificulta avaliar com precisão o risco de extinção desses invertebrados, muitos dos quais podem desaparecer antes mesmo de serem completamente estudados pela ciência.
Atualmente, a perda de habitat somada à exploração comercial já coloca a Typhochlaena curumim, encontrada apenas em fragmentos isolados do Nordeste, em listas de espécies criticamente ameaçadas.