A montagem segue o padrão das exposições imersivas do MIS, com uma proposta cenográfica que estimula diferentes sentidos. Ao todo, o espaço no primeiro andar do museu foi dividido em dez salas expositivas temáticas, organizadas com base em emoções e momentos marcantes da vida da lendária cantora. Uma delas é dedicada ao amor que a cantora tinha pelo Brasil, com registro da passagem dela pelo Rio de Janeiro durante o Carnaval de 1970. O tempo médio sugerido para a visita é de cerca de 40 minutos,
Nascida em 19 de janeiro de 1943 na cidade de Port Arthur, no estado americano do Texas, Janis Lyn Joplin construiu uma das mais marcantes e intensas histórias da música do século 20. Ela cresceu em um ambiente conservador, onde desde cedo se sentiu deslocada. Ainda adolescente, encontrou no blues e no folk uma forma de expressão e identidade, inspirando-se em cantores como Bessie Smith e Lead Belly. A voz rouca e poderosa, carregada de emoção, logo se tornaria sua principal marca artística.
Durante os anos 1960, período de efervescência cultural nos Estados Unidos, Janis se mudou para a Califórnia e passou a integrar a cena musical de São Francisco, um dos epicentros da contracultura. Foi nesse contexto que ganhou projeção como vocalista da banda Big Brother and the Holding Company.
O grupo alcançou grande visibilidade após a apresentação no Festival Pop de Monterey, em 1967, onde a performance visceral de Janis chamou a atenção do público e da crítica, consolidando sua imagem como uma artista intensa e autêntica.
O sucesso nacional veio com o álbum “Cheap Thrills” (1968), que alcançou o topo das paradas e incluiu músicas emblemáticas como “Piece of My Heart”. A partir daí, Janis decidiu seguir carreira solo, formando inicialmente a Kozmic Blues Band e, posteriormente, a Full Tilt Boogie Band. Essa fase evidenciou ainda mais sua versatilidade, transitando entre o rock, o blues e o soul, sempre com interpretações profundamente emocionais.
Em 1970, pouco antes de sua morte precoce, Janis gravou o álbum “Pearl”, considerado sua obra-prima. O disco inclui sucessos como “Me and Bobby McGee” e “Mercedes Benz”, e foi lançado postumamente, tornando-se um grande êxito comercial e de crítica. A canção “Me and Bobby McGee”, inclusive, alcançou o primeiro lugar nas paradas norte-americanas, consolidando seu legado artístico mesmo após sua morte.
A vida pessoal de Janis Joplin foi marcada por excessos e conflitos internos. Ela enfrentou problemas com álcool e drogas, comuns no contexto da contracultura da época, mas também lidou com inseguranças e dificuldades emocionais desde a juventude. Sua busca por aceitação e pertencimento refletia-se tanto em sua música quanto em sua postura no palco, onde demonstrava uma entrega rara e intensa.
Em fevereiro de 1970, meses antes de morrer, Janis Joplin veio ao Brasil para aproveitar o carnaval com a amiga Linda Gravenites. A artista esteve no Rio de Janeiro, frequentando as praias de Copacabana e Ipanema, e em Salvador.
Janis morreu em 4 de outubro de 1970, aos 27 anos, em Los Angeles, vítima de uma overdose de heroína. Sua morte precoce a coloca ao lado de outros artistas que ficaram conhecidos como parte do chamado “Clube dos 27”, grupo de músicos que morreram com essa idade, como Amy Winehouse, Jmmy Hendrix,Jim Morrison, Kurt Cobain e Brian Jones, reforçando o caráter trágico de uma geração de músicos brilhantes.
Mesmo com uma carreira curta, Janis Joplin deixou um legado duradouro. Sua forma de cantar, marcada pela vulnerabilidade e pela força emocional, influenciou gerações de artistas e ajudou a abrir espaço para mulheres no rock, em uma época dominada por homens. Ela desafiou padrões estéticos e comportamentais, tornando-se um símbolo de liberdade e autenticidade.
Décadas após sua morte, sua importância continua sendo reconhecida. Janis foi incluída no Hall da Fama do Rock e segue sendo celebrada em livros, documentários e exposições ao redor do mundo.