Em uma postagem anterior, Sarney contou que é comum receber perguntas de seguidores interessados em saber como ele mantém a disciplina diária. O ex-presidente também classificou a atividade física como um hábito essencial. 'Recebo muitas perguntas de quem me acompanha aqui sobre os meus exercícios. A verdade é simples: faço atividades físicas todos os dias. O movimento é um compromisso com a vida. Cuidar do corpo é preservar a autonomia, a disposição e a alegria de estar presente. Sempre é tempo
A trajetória de José Sarney é uma das mais longas e influentes da política brasileira, atravessando diferentes regimes e fases do país. Nascido no dia 24 de abril de 1930 na cidade de Pinheiro, no Maranhão, ele se formou em direito na Universidade Federal do Maranhão e também tem uma ligação estreita com o universo literário. Na juventude, ingressou na Academia Maranhense de Letras.
Sua entrada na política ocorreu nos anos 1950 quando foi eleito deputado federal pela primeira vez. Na década seguinte, em 1965, chegou ao governo do Maranhão, já durante a vigência da ditadura militar no Brasil.
Nos anos de governo dos militares, manteve-se ativo na política nacional, integrando a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que dava sustentação ao governo. Nesse contexto, foi eleito senador e ampliou sua influência em Brasília. Apesar da ligação com o regime, sua trajetória também seria marcada por um reposicionamento político nos anos seguintes, quando passou a apoiar a abertura democrática.
Na década de 1980, Sarney desempenhou papel relevante no processo de redemocratização. Ele se filiou ao PMDB e tornou-se uma figura-chave na articulação política que levou à eleição indireta de Tancredo Neves em 1985. Escolhido como vice-presidente na chapa, acabou assumindo o cargo máximo do país após a morte de Tancredo antes mesmo da posse, em um momento de grande comoção nacional e incertezas institucionais.
Sua ascensão à Presidência marcou o início de um novo ciclo político, com o retorno de um civil ao comando do país após mais de duas décadas de regime militar. O governo Sarney (1985–1990) foi caracterizado por intensos desafios econômicos. O país enfrentava uma grave crise inflacionária, com índices que corroíam o poder de compra da população e dificultavam o planejamento econômico.
Para conter esse cenário, foram implementados planos econômicos como o Cruzado, o Bresser e o Verão, que incluíam medidas drásticas, a exemplo do congelamento de preços e mudanças na moeda. Embora tenham gerado momentos iniciais de otimismo, esses planos não conseguiram estabilizar a economia de forma duradoura, e a inflação voltou a subir nos anos seguintes.
Apesar das dificuldades econômicas, o período foi decisivo do ponto de vista institucional. Sob sua liderança, foi convocada a Assembleia Nacional Constituinte, que resultou na promulgação da Constituição de 1988. Conhecida como “Constituição Cidadã”, ela ampliou direitos e garantias fundamentais, fortaleceu a democracia e estabeleceu bases importantes para o funcionamento do Estado brasileiro contemporâneo. Esse legado é frequentemente apontado como um dos principais marcos de sua gestão.
Após deixar a Presidência, Sarney retornou ao Senado, onde manteve protagonismo por décadas. Ele ocupou a presidência da casa legislativa em diferentes momentos, exercendo forte influência sobre pautas legislativas e articulações políticas, em especial nos primeiros mandatos de Lula, sendo aliado estratégico do governo no Congresso Nacional.
Além da carreira política, Sarney construiu uma trajetória relevante no campo cultural. Ele é membro da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em julho de 1980 e onde ocupa a cadeira nº 38.
Sua produção literária inclui romances, contos e crônicas, muitas vezes inspirados em aspectos sociais e históricos do Brasil, especialmente do Maranhão.
Outro aspecto marcante da vida pública de José Sarney é a influência de sua família na política brasileira e no universo empresarial. Roseana Sarney, sua filha, foi governadora do Maranhão, deputada federal e senadora. Já o filho Fernando Sarney é presidente do sistema Mirante de Comunicação, que pertence à família, e é um dos vice-presidentes da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol.