O critério adotado pela publicação foi claro: nada de levar em conta vendas ou execuções em rádio — o que valeu foi o brilhantismo puro da guitarra de seis cordas e a capacidade do solo de transformar a música em algo maior do que ela seria sem ele. A seleção inclui algumas bandas mais 'jovens', numa tentativa de ampliar o alcance temporal do ranking. Ainda assim, os dez primeiros lugares pertencem quase que integralmente às décadas de 1960 e 1980, período em que a guitarra elétrica redefiniu os
10º) The Beatles ('While My Guitar Gently Weeps'): George Harrison convidou seu amigo Eric Clapton para tocar o solo de 'While My Guitar Gently Weeps' no álbum Branco dos Beatles. O resultado é um solo contido, melodioso e profundamente expressivo, à altura de uma das canções mais belas da carreira do grupo.
9º) Funkadelic ('Maggot Brain'): Eddie Hazel recebeu de George Clinton uma instrução simples antes de gravar: tocar como se acabasse de saber que sua mãe havia morrido. O resultado é um solo de dez minutos de pura catarse, construído sobre uma base minimalista e capaz de comover até quem nunca ouviu uma nota de funk na vida.
8º) Steely Dan ('Kid Charlemagne'): O solo de 'Kid Charlemagne', executado pelo guitarrista Larry Carlton, é um dos mais admirados entre músicos e críticos especializados. Fluido, inventivo e com uma sofisticação harmônica que flerta com o jazz, ele elevou o nível do que uma guitarra poderia fazer dentro de uma produção de rock sofisticado.
7º) Led Zeppelin ('Stairway to Heaven'): Jimmy Page construiu em 'Stairway to Heaven' um solo que cresce de forma orgânica a partir da melodia da canção até explodir em uma das sequências mais emotivas do rock clássico. É uma obra de arquitetura musical — cada nota parece inevitável, e o conjunto é maior do que a soma das partes.
6º) Chuck Berry ('Johnny B. Goode'): Antes de qualquer conversa sobre solos de guitarra no rock, há Chuck Berry. A abertura de 'Johnny B. Goode' é uma das frases mais copiadas, citadas e celebradas da música popular, e o solo que se segue estabeleceu a linguagem do rock and roll para todas as gerações que vieram depois.
5º) Van Halen ('Eruption'): Com apenas 1 minuto e 42 segundos, 'Eruption' mudou para sempre o que se esperava de um guitarrista de rock. Eddie Van Halen apresentou ao mundo uma técnica de tapping que parecia impossível à época, e o que era para ser uma simples introdução de show se tornou uma das gravações mais influentes da história da guitarra elétrica.
4º) Pink Floyd ('Comfortably Numb'): David Gilmour assina um dos solos mais emocionalmente carregados do rock progressivo. Em 'Comfortably Numb', ele entrega duas intervenções memoráveis, sendo a segunda — longa, lenta e de uma expressividade quase dolorosa — frequentemente citada como o ponto mais alto de toda a sua carreira.
3º) The Eagles ('Hotel California'): O solo duplo de Joe Walsh e Don Felder no encerramento de 'Hotel California' é um dos mais reconhecíveis da história do rock. Construído em camadas e executado em perfeita sintonia entre os dois guitarristas, ele encerra a canção com uma elegância melódica que poucos solos conseguiram replicar.
2º) Jimi Hendrix ('Machine Gun'): Registrada ao vivo no dia 1º de janeiro de 1970, 'Machine Gun' é uma das demonstrações mais brutas e geniais do que Hendrix era capaz. O solo usa a guitarra como instrumento narrativo para evocar o horror da guerra do Vietnã — com sons que imitam tiros, explosões e gritos — numa performance que mistura política, dor e virtuosismo de forma inigualável.
1º) Prince ('Purple Rain'): O solo de Prince na faixa-título de seu álbum mais célebre é amplamente considerado um dos momentos mais emocionalmente devastadores da história da guitarra. Gravado ao vivo, com erros propositalmente preservados, ele combina técnica apurada e entrega visceral numa performance que transcende o virtuosismo e chega perto do sagrado.