Os aparelhos que mais exigem atenção são aqueles que funcionam por resistência elétrica e alcançam temperaturas elevadas sem possuir desligamento automático eficiente. Entram nessa lista itens como ferro de passar roupa, sanduicheiras, grills elétricos, cafeteiras simples, chapinhas, secadores de cabelo e aquecedores portáteis. Como operam com calor intenso, qualquer falha elétrica ou esquecimento pode provocar superaquecimento e aumentar os riscos dentro de casa.
Por isso, a recomendação é retirar esses aparelhos da tomada imediatamente após o uso. Já equipamentos mais modernos costumam oferecer mecanismos adicionais de segurança. Air fryers e micro-ondas, por exemplo, permanecem conectados sem apresentar grandes riscos quando estão desligados e fora de operação. Ainda assim, o ideal é continuar evitando conexões desnecessárias por longos períodos, principalmente em regiões sujeitas a oscilações elétricas e descargas atmosféricas.
Outro ponto que causa discussão é o consumo em modo standby, estado em que o aparelho parece desligado, mas continua com relógios, luzes ou sensores ativos. Individualmente, televisores, videogames, aparelhos de som, monitores e carregadores de celular consomem pouca energia nessa condição.
O problema aparece na soma de vários equipamentos ligados ao mesmo tempo durante todo o mês. Em uma residência com muitos dispositivos em espera, o impacto pode se refletir na conta de luz de forma mais perceptível do que muitos imaginam — dez ou mais dispositivos ligados simultaneamente pode elevar a fatura mensal em até 40 KWh.
“Em uma casa com dez aparelhos nessa condição, o consumo pode chegar a algo entre 15 e 40 KWh por mês”, disse à CNN Clever Approbato, engenheiro e professor no Centro Universitário das Faculdades Unidas (FMU). Além da economia, a segurança costuma ser o principal motivo para retirar aparelhos da tomada.
Descargas elétricas, surtos de tensão e falhas na rede da concessionária podem danificar equipamentos eletrônicos mesmo quando eles não estão em uso. Em períodos de tempestade ou durante viagens longas, especialistas recomendam desconectar aparelhos sensíveis e até desligar parte dos disjuntores da residência, mantendo apenas circuitos essenciais, como o da geladeira.
Nem todos os eletrodomésticos, porém, devem ser desligados constantemente. Geladeiras, freezers e adegas foram projetados para funcionamento contínuo e não devem ser desconectados em situações normais. Apenas em ausências prolongadas faz sentido desligá-los completamente, desde que estejam vazios e com as portas abertas para evitar mofo e mau cheiro.
Outro detalhe curioso envolve roteadores Wi-Fi. Alguns especialistas recomendam desligá-los ocasionalmente não apenas para economizar energia, mas também para melhorar o desempenho da conexão, já que o reinício ajuda a limpar pequenos erros acumulados no sistema.
Além disso, o uso de acessórios elétricos para expandir a quantidade de tomadas também exige cuidado. Filtros de linha com fusíveis oferecem proteção mais segura contra sobrecarga e surtos elétricos, enquanto réguas simples apenas ampliam o número de tomadas disponíveis.
Já os antigos benjamins, conhecidos popularmente como “T”, representam um dos maiores riscos de sobrecarga doméstica, principalmente quando utilizados com aparelhos de alta potência. “O benjamim é um ponto crítico de sobrecarga e deve ser evitado”, alertou o professor.
No fim, especialistas reforçam que não existe uma regra única para todos os equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos. Cada equipamento possui características próprias de funcionamento, consumo de energia e nível de segurança. Por isso, hábitos simples de prevenção podem fazer diferença tanto na segurança da casa quanto na economia de energia ao longo do mês.