O trecho mais famoso da serra impressiona pelo corredor estreito formado entre paredões verticais que chegam a aproximadamente 90 metros de altura. O local atravessa camadas de arenito e basalto e costuma ser apontado como o maior corte em rocha arenítica do Brasil. A paisagem monumental transformou a estrada em um dos pontos mais fotografados da Serra Catarinense, principalmente pela combinação entre relevo dramático e vegetação típica de altitude.
Curiosamente, a denominação do local não remete à existência de corvos, mas sim ao urubu-rei, cuja plumagem clara levou os antigos moradores antigos a apelidarem a ave de 'corvo branco'. O animal costuma sobrevoar cânions e paredões da região.
Algumas formações rochosas, dependendo de alguns ângulos específicos, também lembram o contorno de uma grande ave pousada sobre os paredões em determinados horários do dia, principalmente quando a luz destaca as sombras das montanhas, reforçando ainda mais a associação popular.
A abertura da estrada começou ainda na década de 1950, antes da inauguração oficial da rodovia em fevereiro de 1980. O trabalho ocorreu em condições difíceis e contou com esforço manual de moradores locais, que utilizaram ferramentas simples, como picaretas, além de tratores de esteira nas etapas mais pesadas da escavação.
O resultado foi uma passagem que uniu o litoral ao planalto catarinense e se tornou símbolo da engenharia rodoviária na região serrana. Além da importância histórica, a Serra do Corvo Branco também desperta interesse geológico. As formações expostas na estrada têm aproximadamente 160 milhões de anos, com camadas de arenito e basalto.
Estudos e roteiros geológicos apontam relação da área com o Aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do planeta que se estende por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, principalmente por conta das camadas de arenito expostas nos paredões.
Hoje, o local atrai turistas interessados em paisagens panorâmicas, mirantes e experiências de aventura. No alto da serra, o Parque Altos da Serra do Corvo Branco conta com estruturas suspensas de vidro, trilhas leves e vista para áreas como o Vale do Rio Canoas e o Cânion Espraiado.
A região, porém, enfrenta restrições temporárias por causa das obras de pavimentação da SC-370. Segundo informações da Secretaria de Estado da Infraestrutura, parte da estrada permanece interditada para melhorias, com reavaliações periódicas das condições de segurança.
A Prefeitura de Urubici divulgou que as obras haviam chegado a 60% da conclusão em fevereiro de 2026. O projeto original previa conclusão em um ano, mas o consórcio responsável pela obra teve o contrato rescindido após dificuldades para manter os trabalhos.
O governo precisou realizar uma nova contratação, processo que aumentou o prazo da intervenção. Depois da retomada das obras, sete pontos de deslizamento exigiram ações emergenciais de contenção, com investimento adicional de R$ 11 milhões — atualmente, a obra já ultrapassa R$ 56 milhões.
O projeto inclui pavimentação, trechos em concreto e estruturas de contenção em aproximadamente 9,5 quilômetros, considerados de alta complexidade por causa das características geológicas da região. A expectativa do governo catarinense é concluir totalmente a revitalização até o fim de 2026.