Segundo os relatórios divulgados pelas autoridades geológicas locais, os pesquisadores identificaram mais de 40 veias de minério distribuídos no subsolo da região. O destaque ficou para a elevada concentração de ouro encontrada nas amostras analisadas. Em alguns pontos, o teor alcançou até 138 gramas por tonelada de rocha extraída, índice considerado extremamente alto para depósitos minerais dessa dimensão.
A reserva chinesa é tão grande que já foi comparada a alguns dos maiores depósitos do planeta, superando inclusive a mina South Deep, na África do Sul, considerada há anos uma das maiores e mais importantes minas de ouro do mundo. Localizada na região de Witwatersrand, essa mina se tornou referência internacional pela enorme capacidade de produção e pela exploração em grandes profundidades subterrâneas.
Até o momento, os estudos confirmaram aproximadamente 300 toneladas de ouro em áreas já perfuradas, quantidade avaliada em aproximadamente R$ 428 bilhões conforme a cotação atual do metal. Os especialistas, porém, acreditam que o potencial total da mina pode ser ainda maior e chegar a mil toneladas!
Modelos geológicos elaborados com tecnologia de mapeamento tridimensional indicam a possibilidade de existirem mais de mil toneladas em camadas subterrâneas mais profundas. Apesar do otimismo, essas estimativas ainda dependem de novas perfurações e análises independentes capazes de comprovar a viabilidade econômica da extração em larga escala.
A exploração em profundidades superiores a 2 mil metros representa um dos maiores desafios da mineração moderna. Conforme a escavação avança, aumentam a temperatura das rochas, a pressão geológica e os custos operacionais. Em alguns trechos da mina, os especialistas registraram temperaturas superiores a 50 graus Celsius no interior das galerias subterrâneas.
Para operar nesse ambiente extremo, será necessário implantar sistemas sofisticados de ventilação, refrigeração e contenção estrutural, tecnologias disponíveis em poucos projetos minerais ao redor do mundo. Os relatórios técnicos também apontam dificuldades relacionadas ao transporte do minério e à infraestrutura da região, considerada limitada para operações industriais dessa escala.
Além disso, ainda faltam estudos independentes que validem completamente os cálculos sobre a quantidade de ouro existente nas camadas mais profundas do depósito. Por esse motivo, a produção comercial em grande escala não deve começar tão cedo.
Mesmo antes do início efetivo da extração, o anúncio já produz impactos no mercado internacional. A China lidera a produção mundial de ouro há mais de dez anos e responde atualmente por cerca de 10% da mineração global do metal.
A descoberta em Pingjiang reforça essa posição em um período marcado pela valorização acelerada do ouro nos mercados internacionais. Analistas avaliam que reservas dessa magnitude podem ampliar a influência chinesa nas negociações relacionadas ao preço e ao fornecimento do metal precioso.
O governo chinês também intensificou nos últimos anos os investimentos em mapeamento geológico profundo. Novos levantamentos realizados na região de Xinjiang, no noroeste do país, indicam a existência de outras áreas promissoras com potencial semelhante ao encontrado em Hunan.
A estratégia da China busca identificar reservas capazes de sustentar décadas futuras de produção mineral e reduzir a dependência de fornecedores externos. Nesse contexto, a mina de Pingjiang surge como o exemplo mais visível de um projeto nacional de exploração subterrânea cada vez mais ambicioso.