Ao g1, a Cimed informou que comunicou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre essa necessidade ainda em maio de 2025. 'A ação foi adotada pela própria companhia como parte de seus rigorosos protocolos internos de qualidade e segurança', diz um trecho da nota. Apesar do episódio, especialistas reforçam que a substância segue como ferramenta fundamental na prevenção de doenças cardiovasculares.
Esses medicamentos atuam diretamente no fígado ao bloquear uma enzima responsável pela produção de colesterol. Com menor fabricação interna da substância, o organismo passa a retirar mais colesterol da circulação sanguínea, reduzindo os níveis de LDL. Esse controle é fundamental porque o excesso de LDL favorece o acúmulo de placas de gordura nas paredes arteriais, uma condição que eleva o risco de infartos e acidentes vasculares cerebrais.
Além da queda do colesterol, estudos apontam outros benefícios importantes associados às estatinas, como a redução da inflamação arterial e a estabilização das placas de gordura, fator que diminui o risco de ruptura e complicações cardiovasculares graves. Uma pesquisa publicada em 2025 na revista 'Annals of Internal Medicine' também identificou redução significativa da mortalidade entre adultos com diabetes tratados com essas medicações.
Existem diferentes tipos de estatinas disponíveis no mercado, e a potência varia conforme a substância utilizada e a dose prescrita. Atorvastatina e rosuvastatina, especialmente em doses elevadas, podem reduzir o LDL em cerca de 50%, enquanto outras opções, como sinvastatina, pravastatina e fluvastatina, costumam apresentar reduções mais moderadas.
A indicação do tratamento depende do risco cardiovascular de cada paciente e dos níveis de colesterol observados nos exames laboratoriais. Pessoas com histórico de infarto, AVC, diabetes, hipertensão associada a obesidade ou tabagismo, além de indivíduos com predisposição genética para colesterol elevado, costumam integrar os principais grupos de risco.
Nos últimos anos, as metas de colesterol tornaram-se ainda mais rígidas. Em 2025, a Sociedade Brasileira de Cardiologia atualizou as diretrizes de prevenção cardiovascular e criou pela primeira vez a categoria de risco extremo, destinada a pacientes com múltiplos eventos cardíacos anteriores.
As recomendações passaram a estabelecer metas cada vez menores de LDL conforme o aumento do risco cardiovascular. A nova lógica considera que dois pacientes com o mesmo nível de colesterol podem exigir tratamentos completamente diferentes dependendo do histórico clínico de cada um.
Apesar da eficácia comprovada, as estatinas também podem provocar efeitos colaterais. O mais frequente envolve dores musculares leves, especialmente nas primeiras semanas de uso. Em alguns casos, pacientes relatam sensação de câimbras e desconforto muscular, sintomas que normalmente desaparecem após ajuste de dose ou troca da medicação.
'É algo que acomete cerca de 10% das pessoas, mas, em geral, é tolerável e reversível, quando se troca a medicação ou se ajusta a dose, ou mesmo quando se muda para doses mais baixas em combinação com outras medicações', explicou ao g1 o médico endocrinologista, Marcello Bertoluci.
Maiores complicações, como lesões musculares graves ou alterações hepáticas, aparecem de forma rara e geralmente apresentam reversão adequada quando identificadas rapidamente. Para os especialistas, os benefícios do tratamento superam amplamente os riscos na maioria dos pacientes, sobretudo entre aqueles com maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares.
'Em resumo, as estatinas entram quando o LDL está alto e, principalmente, quando o risco e a necessidade de redução são grandes o suficiente, a ponto de as medidas de estilo de vida – que conseguem reduzir em média 15% do colesterol – não darem conta sozinhas de atingir a meta de colesterol', detalhou Bertoluci.