Segundo informações do jornal O Globo, o impacto foi extremamente forte e o bico do animal atravessou o coração do brasileiro. Por sorte, tinha um médico na praia no momento do acidente e ele realizou os primeiros socorros até que as equipes de emergência chegassem. Depois de estabilizado, o catarinense foi levado de avião para San José, capital da Costa Rica, onde passou por uma cirurgia cardíaca delicada na qual precisou costurar um músculo do coração.
Segundo a família, a recuperação evolui de forma positiva e Fabiano já deixou a terapia intensiva. Diante do alto custo do tratamento hospitalar no exterior — avaliado em cerca de R$ 40 mil — e da necessidade de retorno ao Brasil, a esposa de Fabiano organizou uma campanha de arrecadação financeira na internet. 'Estou feliz pelo milagre, ao mesmo tempo assustado e muito grato por estar bem', disse o surfista.
O peixe-agulha é um peixe marinho conhecido pelo corpo extremamente alongado e pelo focinho fino, rígido e pontiagudo, que lembra uma lança ou uma agulha, característica que inspirou seu nome popular. Ele pertence à família Belonidae e habita águas tropicais e subtropicais de várias regiões do planeta, incluindo o litoral brasileiro, o Caribe, o Oceano Índico e partes do Pacífico.
Sua anatomia hidrodinâmica facilita arrancadas rápidas e mudanças bruscas de direção durante a caça logo abaixo da superfície da água, onde passa a maior parte do tempo. Muitas espécies apresentam um reflexo prateado no ventre, padrão que ajuda na camuflagem contra predadores marinhos e aves.
Além disso, o peixe-agulha também chama atenção pelos dentes afiados e pela mandíbula longa, capaz de capturar presas com precisão. Apesar da aparência relativamente frágil, ele possui musculatura forte e comportamento bastante ativo. Em certas ocasiões, pode saltar para fora da água em alta velocidade, especialmente quando se sente ameaçado ou perseguido por predadores maiores, como atuns, dourados e golfinhos.
Em algumas regiões tropicais, o peixe-agulha acompanha cardumes de peixes menores durante longas distâncias. Ele aproveita a confusão provocada pelos grupos para atacar presas de surpresa. Seu principal sentido de caça é a visão, por isso prefere águas claras e áreas iluminadas pela luz solar.
Esses saltos renderam ao peixe-agulha uma fama incomum no mundo marinho, pois acidentes com seres humanos já aconteceram em diferentes países. Há registros de surfistas, pescadores e mergulhadores feridos após colisões com o animal durante seus impulsos rápidos na superfície.
Em alguns casos raros, o impacto pode provocar ferimentos graves devido ao focinho duro e pontiagudo. Embora esses episódios despertem curiosidade e temor, ataques deliberados contra humanos não fazem parte do comportamento natural da espécie; o peixe apenas reage ao ambiente e tenta escapar de ameaças.
Outro aspecto biológico fascinante reside no desenvolvimento de sua arcada dentária ao longo da vida. Quando nascem, os filhotes possuem apenas a mandíbula inferior alongada, o que os faz parecer criaturas completamente diferentes dos adultos. Somente com o passar do tempo e o crescimento do animal é que a parte superior se desenvolve por completo.
Em várias culturas costeiras, o peixe-agulha integra a alimentação local e aparece em pescarias artesanais. Curiosamente, o esqueleto de algumas espécies apresenta uma tonalidade esverdeada brilhante devido à presença de um pigmento chamado biliverdina, o que costuma assustar pescadores iniciantes, embora sua carne seja apreciada em algumas regiões da Ásia e da América Latina.
Além da importância econômica, o animal exerce papel relevante no equilíbrio ecológico marinho, pois participa da cadeia alimentar tanto como predador quanto como presa. A presença do peixe-agulha também funciona como indicador da saúde de ecossistemas costeiros, já que ele depende de águas relativamente limpas e ricas em alimento para sobreviver.