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Justiça de Jersey condena Maluf a devolver dinheiro desviado da prefeitura

postado em 16/11/2012 18:33
São Paulo ; A Corte Real de Jersey determinou hoje (16) que o ex-prefeito e deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) devolva US$ 10,5 milhões (em valores de 1998) à prefeitura de São Paulo desviados em esquemas de fraudes de 1997 a 1998. Segundo a sentença, o dinheiro foi enviado ao exterior por Flávio Maluf, filho do parlamentar, por ordem de Paulo Maluf. A corte ainda irá atualizar os valores desviados que estão em contas no exterior das empresas controladas pela família Maluf.

;Paulo Maluf foi parte da fraude ao menos na medida que em janeiro e fevereiro de 1998, ele e outros receberam uma série de 15 pagamentos no valor total de R$ 13,5 milhões;, diz a sentença. ;Flávio Maluf, sabendo da natureza desses pagamentos, sob as instruções de Paulo Maluf, acertou a transferência de ao menos de 13 dos 15 pagamentos para fora do Brasil;, acrescenta o texto.

Na ação, a prefeitura argumentou que o dinheiro, que está em contas no exterior de empresas da família Maluf, veio de propinas pagas em um esquema de fraudes para desvio de recursos durante a construção da Avenida Água Espraiada (atual Avenida Roberto Marinho).

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No Brasil, Paulo Maluf responde, junto com mais dez réus, uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro referente ao mesmo caso. O Ministério Público diz que a obra foi superfaturada, com custo final de R$ 796 milhões, e que boa parte do dinheiro foi enviada ao exterior por meio de doleiros.

Em nota, Paulo Maluf disse que a ação da Justiça de Jersey não tem embasamento legal. ;Qualquer obra realizada em território brasileiro, si feita de forma irregular, o que não é o caso dessa, terá de ser julgada pela Justiça brasileira;, ressaltou. Maluf também negou que seja réu ou tenha contas bancárias na Ilha de Jersey, paraíso fiscal que faz parte do Reino Unido.

O deputado aponta ainda que já havia deixado a prefeitura no período das fraudes. ;A sentença mostra claramente que os eventuais recursos citados na ação teriam sido movimentados em janeiro e fevereiro de 1998, quando Paulo Maluf não era mais prefeito de São Paulo, já que seu mandato acabou em dezembro de 1996.;

No período, o prefeito de São Paulo era Celso Pitta, que foi indicado à sucessão por Maluf, após ter sido secretário de Finanças da capital paulista.

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