Uma mulher é violentada a cada 11 minutos no Brasil, segundo pesquisa

As estatísticas mostram que mulheres de diferentes classes e raças são violentadas, "embora as negras sejam as principais vítimas letais"

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postado em 27/05/2016 09:18

O estupro coletivo que aconteceu no Rio nesta semana é "o caso mais grave já ocorrido no Brasil", afirmou Samira Bueno, cientista social e diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), organização não governamental (ONG) que formula análises e pesquisa as estatísticas sobre a violência no País.

A especialista lembra que, até então, o episódio mais chocante havia sido o das quatro meninas do Piauí. No caso carioca, disse Samira, além da quantidade de agressores, choca o fato de nenhum dos envolvidos ter tentado impedir a violência e "ainda terem postado o vídeo nas redes, se orgulhando do que fizeram".

"O que chama a atenção é a brutalidade em pensar que mais de 30 homens estupraram a adolescente e nenhum deles, em momento algum, tentou impedir", disse ela, que ressalta ainda o aspecto cultural da violência. "O estupro está vinculado à cultura machista e misógina, que entende que os homens têm direito de ferir a mulher."

As estatísticas das Secretarias de Segurança Pública de todo País, reunidas pelo FBSP, mostram que mulheres de diferentes classes e raças são violentadas, "embora as negras sejam as principais vítimas letais", segundo a cientista social. A vítima do estupro coletivo não é negra.

Uma mulher é estuprada no Brasil a cada 11 minutos, segundo estatística recolhida pela FBSP. Como apenas de 30% a 35% dos casos são registrados, é possível que a relação seja "de um estupro a cada minuto", de acordo com Samira. Ao todo, no Brasil, 47,6 mil mulheres foram estupradas em 2014, última estatística divulgada. No Estado do Rio, foram 5,7 mil casos.

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão vinculado à Secretaria de Segurança do Estado, revelam 507 queixas de estupro na cidade do Rio, neste ano. O número é 24% inferior ao de igual período (janeiro a maio) de 2015, quando houve 670 registros. Na região da 28.ª Delegacia de Polícia, que inclui a Praça Seca, onde aconteceu o estupro coletivo, foram registrados 20 casos em 2016.

Redes
Na quinta-feira, 26, as redes sociais foram inundadas de campanhas contra a violência sexual contra mulheres. Fotos de perfis foram cobertas com as frases "Precisamos falar sobre a cultura do estupro" e "Eu luto pelo fim da cultura do estupro". Em outra campanha, a imagem de uma mulher sangrando, pendurada como Jesus à cruz, era disseminada nas redes. Usuários ainda compartilharam mensagens como "Não foram 30 contra 1, foram 30 contra todas. Exigimos justiça!".
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Sonia
Sonia - 27 de Maio às 14:31
Chocantes são todos os episódios: a do Piauí, a da americana dentro da van, a deste caso de agora e todos os outros, diários pequenos, domésticos, coletivos, de parceiros silenciados e estupidamente classificados. Todos são criminosos porque fere o corpo, a vida e a existência como pessoa, como sujeito, de alguém que é invadida e destruida´em sua intimidade sem o seu consentimento. É crime horrendo em qualquer situação que esteja. Seja homem, mulher, crianças, adolescentes, velhos, branco, preto, amarelo, azul ou ets. O que fazer? Pararmos de dourar um Brasil cordial, simpático sem violencia. O Brasil é uma país que se acovarda perante seus problemas mais sérios e quando trata dos mais vulneráveis. É pequeno em suas políticas e torpe em proteger privilegiados. É atrasado com ares arrogantes de grandeza. É vil e nefastos quando esquece como Estado do seu papel. Mais uma vítima que amanhã ao virarmos as páginas para uma outra notícia a esqueceremos em sua dor, silêncio e cuidados.
 
elimar
elimar - 27 de Maio às 11:05
Pow!Mulher tmb tem parar de ser mais que alguém! Depois dessas leis mulher acha que pode cuspir na cara de qualquer um e não vai dar nada porque são intocáveis. Casar no mundo de hj e cometer suicídio!!!