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Meninas de 10 anos são fundamentais para o desenvolvimento dos países

Garantir educação, saúde e direitos iguais às meninas geraria benefícios de R$ 21 bilhões por ano a nações em desenvolvimento, afirma a ONU

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postado em 26/10/2016 10:00 / atualizado em 26/10/2016 15:51

Gabriela Vinhal

UNFPA/Live Images


Acesso à educação, oferta de tratamentos de saúde física e mental, garantia de direitos iguais, idade mínima de 18 anos para o casamento e combate ao trabalho infantil. Essas são algumas das 10 ações propostas pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para que os países garantam qualidade de vida às meninas de 10 anos, uma idade considerada crítica pela ONU para o desenvolvimento pleno dessas garotas.
 
Segundo o relatório "10 — Como nosso futuro depende de meninas nessa idade decisiva", lançado nesta quarta-feira (26/10), o empoderamento de meninas nessa idade mudaria, a longo prazo, a realidade de muitas nações. No âmbito econômico, as localidades menos desenvolvidas, que abrigam cerca de 89% dessas garotas, teriam benefícios que somariam, aproximadamente, R$ 21 bilhões anuais.
 

10 anos e vulneráveis

 
De acordo com o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal, as meninas de 10 anos merecem maior atenção porque elas estão começando a transição da infância para a vida adulta. Nessa fase, com o início da puberdade, as garotas ficam expostas a uma poderosa combinação de fatores — formada por parentes, figuras da comunidade, normas sociais e culturais, instituições e leis discriminatórias —, que as impede de seguir rumo a uma vida autônoma.
 
“Ela pode ser tirada da escola para começar uma vida ao lado de um marido que não escolheu, ou se tornar uma propriedade que pode ser comprada ou vendida, sem opção de escolha”
Jaime Nadal, representante da UNFPA no Brasil
 
Dos cerca de 60 milhões de meninas no mundo atualmente, 35 milhões vivem em países onde mulheres têm menos direitos que os homens, de acordo com o Índice de Desigualdade de Gênero, elaborado pela ONU. Isso significa que quase seis em 10 meninas vivem em lugares onde as normas e práticas de gênero as deixam em grande desvantagem, tanto aos 10 anos quanto na vida adulta.
 
Em relação a seus irmãos, de acordo com Nadal, essas meninas, em geral, têm menos chance de permanecer na escola, são mais expostas ao trabalho infantil (especialmente em países coniventes com o trabalho não remunerado) e têm maior probabilidade de se casarem antes de completar 18 anos e sofrerem violência do parceiro.
 

ONU aposta nas meninas

 
As normas desiguais de gênero ferem tanto as meninas quanto os meninos, mas são elas as mais afetadas, mostra o relatório. E, ao permitir essa realidade, os países também perdem.
 
Impedindo as meninas de se desenvolverem, as nações perdem profissionais qualificadas que poderiam entrar no mercado de trabalho em cerca de 15 anos e teriam mais condições de cuidar de seu bem-estar e sexualidade. O resultado é desperdício de força produtiva e mais gastos com saúde, representando prejuízo na casa dos R$ 21 bilhões.
 
“A igualdade de gêneros não traz benefícios apenas para as mulheres, mas para toda a sociedade. Não só no âmbito social, mas também no econômico”, explica Nadal.
 

Conheça as 10 medidas sugeridas pela ONU:
 

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Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Leandro
Leandro - 26 de Outubro às 10:46
O buraco é mais embaixo. O mundo simplesmente não tem crianças suficientes mais sendo educadas: os países desenvolvidos não têm filhos, e os pobres não conseguem educar os seus, nem sequer os meninos.

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