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Marcelo Boeck: "Estamos sendo tratados como sobreviventes"

Goleiro reserva campeão da Libertadores e do Mundial pelo Inter diz que recebeu flores e até cartinhas carinhosas da torcida da Chapecoense pedindo para que ele fique e reconstrua o time

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postado em 30/11/2016 12:46 / atualizado em 30/11/2016 14:21

Marcos Paulo Lima , Enviado Especial

Breno Fortes/CB/DA Press
 
Chapecó (SC) — Campeão da Libertadores e Mundial pelo Internacional em 2006 como goleiro reserva, o goleiro Marcelo Boeck resumiu na manhã desta terça-feira, no gramado da Arena Condá, como é a relação do povo da cidade do interior catarinense com o clube. “Quem não viajou está sendo tratado como sobrevivente. Depois que eu recebi a notícia na terça e saí de casa, fui surpreendido com flores e cartas na porta de casa pedindo para eu ficar”, contou.
 


Recém-recuperado de contusão, Marcelo Boeck não havia sido convocado pelo técnico Caio Júnior para a viagem a Medellín. Estava na torcida pelo amigo Danilo. Agora, promete ser o substituto na reconstrução da Chapecoense. “As nossas vontades são banais diante do que é a vida. A Chapecoense é uma família. Esse espírito não pode morrer. Estou aqui para ficar. Digo isso como princípio, ética. É um capítulo terrível em 43 anos de Chapecoense, mas quem ficou tem o compromisso de não deixar isso aqui acabar”, convocou.
 
Breno Fortes/CB/DA Press
 
 
Marcelo Boeck contou que fez aniversário na última segunda-feira. Na comemoração com o filho, disse a ele que dinheiro não é o mais importante na vida usando uma imagem enviada por uma rede social.
 
“Eu tentava ensinar que há um outro lado bom na vida, que não é só ganhar dinheiro. Agora, é a minha vez de provar a ele que isso não é só teoria, é uma verdade. Eu tenho 32 anos, mas muito mais do que ganhar dinheiro é reconstruir essa história”, diz.
 
O goleiro reserva da Chapecoense conta que, antes do embarque, vários jogadores do elenco enviaram mensagens o parabenizando. “Todos me felicitaram pelo grupo de Whatapp. A lembrança que fica para mim é uma lembrança boa. Todos me felicitaram. Todos estavam empolgadíssimos e motivados. Cabe a nós continuar esse legado”, reafirmou.
 
O jogador chegou a ser titular durante parte do Campeonato Brasileiro, mas depois o técnico Caio Júnior optou por Danilo. “Há três meses, eu era titular da equipe e depois saí. Foi opção do treinador. E hoje a gente vive uma situação dessas. Certas coisas a gente não sabe por que acontecem. Começamos a valorizar a vida, futebol fica em segundo plano. Dinheiro, fama, futebol, essas coisas não valem nada. Hoje, pude acordar e ouvir minha esposa lamentando: ‘Hoje poderia se eu quem estivesse dando essa notícia para os nossos filhos’. Isso nos faz refletir. Quando eu olho para os meus filhos vejo que eu tive uma segunda chance”.
 
Brasileiro de Vera Cruz (RS), mas com nacionalidade belga, Marcelo Boeck foi revelado pelo Internacional. Era o terceiro goleiro colorado na campanha do Mundial de Clubes de 2006. Passou por Marítimo e Sporting antes de ser contratado neste ano pela Chapecoense e foi campeão catarinense no início do ano.

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