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Torcedores do Chapecoense lotam estádio para tributo a vítimas de acidente

Torcida sem time. Campeões sem taça. Volta olímpica sem heróis. A noite em que um povo fanático prestou tributo e vibrou por heróis que deixaram uma cidade órfã do seu maior prazer

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postado em 30/11/2016 22:45 / atualizado em 01/12/2016 00:17

Marcos Paulo Lima - Enviado especial



Chapecó (SC) - O futebol ensinou na noite desta quarta-feira, (30/11), de uma forma dura, cruel, a torcer pelo abstrato. A bradar por um time que insiste em não sair mais do vestiário. A gritar “é campeão” sem testemunhar um capitão erguendo a taça. A aplaudir a volta olímpica sem que os heróis do título tão sonhado estivessem ali, passando pertinho do alambrado, como se fossem um membro da família. A deitar e rolar no gramado de tanto chorar de saudade em vez de júbilo. A perder o controle das lágrimas que pingavam de olhos incrédulos e regavam de esperança o gramado da Arena Condá. A depositar em um exército de crianças uniformizadas a fé na reconstrução de um sonho chamado Associação Chapecoense de Futebol. Foi assim a noite de tributo às vítimas do acidente do voo em Medellín.



No ponto alto da linda homenagem, os nomes dos jogadores surgiram no telão do estádio. A cada nome, gritos ensurdecedores. Aplausos. Choro dentro do gramado das viúvas dos jogadores, filhos, parentes, amigos. Às 21h50, horário em que a Chapecoense deveria entrar em campo no Atanasio Girardot, na Colômbia, para a primeira partida contra o Atlético pela final da Copa Sul-Americana, o grito de “é campeão” começou a ecoar.

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“Isso é surreal. Parece que isso tudo é mentira. Olho ali para o túnel e os meus amigos não aparecem. Viro para o placar eletrônica e não tem placar do jogo. Que pelo menos eles estejam ouvindo, onde quer que estejam, esse grito que me arrepia”, disse ao Correio o argentino Martinuccio. Submetido a uma artroscopia, o meia só voltará a jogar futebol em 2017. 

Lotado, o estádio clamou desde as 20h pelas vítimas do acidente aos gritos de “time de guerreiros”. Com aplausos. Não havia anestesia que amenizasse a dor. Parte da torcida entoava cânticos religiosos. As torcidas organizadas acenderam sinalizadores. A lanterna dos aparelhos celulares. Como um coral, gritaram “olê, olê, olê, olá, o sentimento, não vai parar”.

Dois momentos causaram mais comoção. A saída das crianças do vestiário e a volta olímpica dos jogadores remanescentes no elenco, seguidos por integrantes da diretoria e por torcedores mirins. Entre os atletas, uma surpresa: a presença do lateral-direito Fabiano, autor do gol do título brasileiro do Palmeiras no último domingo, em cima da Chapecoense, seu ex-time. Nivaldo, com 10 anos dedicados ao clube, chorava como um menino.
 
Durante a cerimônia religiosa com a presença de padres e um pastor, uma arena unida pela dor e pela fé. Ao fim do evento, o hino da Chapecoense é tocado. Os torcedores formam um coral. Alguns deixam o estádio com passos lentos, de quem queria ficar. Outro não arrastam os pés do estádio. Cantam com fervor o trecho que diz “(...) nas alegrias e nas horas mais difíceis, meu furacão, tu és sempre um vencedor. Era o fim de um tributo tocante. Impossível ficar indiferente.

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