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Pai e filho, ex-árbitro e atleta sub-20 da Chape dividem dor pela tragédia

Atleta sub-20 da Chape, Ramiro acordou para beber água de madrugada e pensou que o pai, ex-juiz, estava no voo

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postado em 02/12/2016 07:53 / atualizado em 02/12/2016 08:01

Marcos Paulo Lima , Breno Fortes , Enviados Especiais /

Breno Fortes/CB/D.A Press
Chapecó (SC) — No centro do gramado da Arena Condá, um senhor de blazer, tênis, calça jeans e um estilão fashion dá um longo abraço em um garoto das divisões de base da Chapecoense. Choram juntos. Limpam as lágrimas um do outro. Caminham com as mãos no ombro rumo aos vestiários, transformados em área de convivência para os familiares e amigos das vítimas da tragédia do voo de Medellín.
 
 

Na madrugada de terça-feira, Ramiro Simon, 18 anos, volante do time sub-20 da Chapecoense, pensou que nunca mais fosse acariciar o pai, o ex-árbitro Carlos Eugênio Simon. Representante do apito brasileiro nas copas de 2002, 2006 e 2010 e hoje comentarista, Simon só não embarcou para Medellín por causa da final da Copa do Brasil, entre Grêmio x Atlético-MG. Ele trabalharia do Rio nos dois jogos.
 
“Achei que ele estava no voo com a equipe da Fox Sports, principalmente porque era uma final da Chapecoense contra o Atlético Nacional. Foi uma sensação terrível. Parecia que eu estava vivendo um pesadelo”, conta Ramiro.

O filho de Simon acordou durante a madrugada para tomar água no apartamento da Chapecoense que divide com companheiros do time sub-20. Um colega da base foi até a cozinha e avisou sobre o acidente com o avião do clube. Com muito jeitinho, avisou que havia jornalistas da Fox Sports a bordo.

Perplexo, com as mãos trêmulas, Ramiro Simon pegou o aparelho celular e teclou o número do pai. “Eu só queria ouvir a voz dele. Moramos em cidades diferentes. Sinceramente, eu imaginei que ele estivesse no voo. Foi um alívio quando ele atendeu. Era final de campeonato. Imaginei que ele tivesse ido para a Colômbia”, diz Ramiro, com os olhos cheios de lágrimas.

Reencontro
Eugênio e Ramiro Simon se reencontraram ontem. Acompanhado da esposa, Kátia, o ex-árbitro decidiu levar um pouco de aconchego ao filho. Finalista do Campeonato Catarinense sub-20 e de malas prontas para disputar a Copa Ipiranga, no Rio Grande do Sul, Ramiro teve os planos alterados pela diretoria. A Chapecoense mudou de ideia e decidiu, ontem, cancelar a participação do time no torneio em solo gaúcho. A estreia seria na segunda-feira, contra o Corinthians. Os meninos da base foram liberados por tempo indeterminado.

Abalado com a perda de amigos da Fox Sports que acompanhavam a delegação da Chapecoense, Simon resolveu passar o fim de semana com o filho. Ramiro conta que um dos melhores amigos do ex-árbitro era o ex-jogador e comentarista Mário Sérgio.
 
 

“Os dois pareciam irmãos. Mário Sérgio era como um tio para mim. Enchia meu saco quando me via. Questionava a minha escolha por ser volante e dizia que eu tinha altura e jeito para lateral-direito”, afirma. Depois de uma longa pausa para engolir o choro, o desabafo. “Parece que a qualquer momento ele vai aparecer e me encher o saco de novo”, diz, com um sorriso amarelo. “O Mário Sérgio tinha jeito de grosso, mas era mais menino do que eu”, lembra o rapaz.

Embora tenha apenas 18 anos, Ramiro foi valente. Abraçou cada uma das viúvas, dos filhos. “O momento mais difícil foi quando eu abracei a mãe do Gimenez (morto na tragédia). Nossa, a mãe dele não parava de chorar”, conta.

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