Comemoração da Portela começou no sambódromo do Rio e entrou pela madrugada

Em mais um triunfo do carnavalesco Paulo Barros, a Portela encerra o jejum de 33 anos sem títulos na Marquês de Sapucaí com uma homenagem aos leitos d'água pelo mundo. Por causa dos acidentes, nenhuma escola será rebaixada

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Dhavid Normando/Futura Press
 
A águia altaneira da Portela voltou a reinar depois de 33 anos na Marquês de Sapucaí. A azul e branco de Madureira conquistou seu 22º título, o segundo no atual sambódromo, sagrando-se a grande campeã de 2017 do carnaval do Rio de Janeiro entre as 12 escolas de samba. A vitória veio em um ano em que os acidentes com carros alegóricos, que vitimaram 34 pessoas, tiraram boa parte do brilho da festa.

Em uma disputa eletrizante, com mudança de liderança nota a nota, a Portela virou o placar no último quesito — enredo — passando à frente da Mocidade Independente de Padre Miguel, que ficou com a segunda colocação. Em seguida ficaram o Salgueiro, a Mangueira, a Grande Rio e a Beija-Flor. A festa dos portelenses pelo 22º título no carnaval do Rio de Janeiro começou ainda no sambódromo e entrou pela madrugada na quadra da escola.

Na apuração, 54 jurados, divididos em seis para cada um dos nove quesitos, avaliaram alegorias e adereços, bateria, fantasias, samba-enredo, comissão de frente, evolução, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira e enredo — este ano, o carnaval teve uma diferença em relação aos anteriores: são seis jurados por quesito, mas apenas quatro notas serão válidas. Os dois reservas também atribuíram notas, mas suas avaliações só seriam divulgadas e computadas caso um dos titulares tivesse tido algum problema e não concluísse a avaliação.

Logo no começo da apuração, parecia que seria confirmado o favoritismo da Mangueira ao título de bicampeã. Mas a verde-rosa ficou para trás. Ao fim, nem precisou a leitura do último envelope para o grito de campeã tomar conta da avenida. A divulgação das últimas notas acabou abafada pela euforia dos vencedores, que se espalhou pela Sapucaí. Apesar de ser a escola que coleciona o maior número de vitórias do carnaval carioca, a Portela não ganhava um título há 33 anos. Foi campeã pela última vez em 1984, na inauguração do sambódromo.

Paulinho da Viola

A apresentação da escola, que tinha como tema “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar...”, foi inspirada no famoso e clássico samba do não menos portelense Paulinho da Viola: “Foi um rio que passou em minha vida”.

O enredo levou para a avenida a história de rios famosos do mundo, com toda a cultura e costumes em torno desses leitos de água. A escola contou a relação da humanidade com as águas. Fez, inclusive, um protesto contra o acidente que vitimou o Rio Doce, com o rompimento da barragem no município mineiro de Mariana, em novembro de 2015. Responsável pelo enredo, o carnavalesco Paulo Barros agora acumula o seu quarto título no Grupo Especial. Foi o segundo ano que ele comandou o desfile da Portela.
 
Sob forte emoção, o presidente da escola de Madureira, Luís Carlos Magalhães, disse que “o Brasil precisa da Portela, a cultura popular precisa da Portela. A Portela agora vai ter paz para ser a grande escola que ela tem que ser, não vai ter mais que carregar essa cruz do jejum. A Portela vai abraçar todas as suas coirmãs. Mais importante do que levantar a bandeira da Portela é levantar a bandeira do samba, da cultura brasileira”.

A festa da campeã começou ao mesmo tempo na avenida, onde os carnavalescos acompanhavam a apuração, e na quadra da escola de Oswaldo Cruz e Madureira, Zona Norte do Rio. No sábado, as cinco primeiras colocadas voltam a desfilar na Marquês de Sapucaí. Por conta dos acidentes nos desfiles de domingo e segunda, a Liga das Escolas de Samba (Liesa) decidiu que não haverá rebaixamento para o ano que vem. 
 
 
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