Quase 20% da população está obesa, indica pesquisa do Ministério da Saúde

Aumento de peso provocou um aumento de pessoas vivendo com doenças crônicas como diabetes e hipertensão

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postado em 17/04/2017 13:54 / atualizado em 18/04/2017 13:04

 Zuleika de Souza/CB/D.A Press

Pesquisa que ouviu mais de 53 mil pessoas em todas as unidades da Federação aponta que o Brasil deixou de ser um país com altas taxas de desnutrição para figurar entre as nações em que grande parte de sua população está acima do peso. O estudo, realizado pelo Ministério da Saúde, revela que 53,8% dos brasileiros estão acima do peso considerado ideal. Em 2006, quando esse tipo de avaliação começou a ser realizada, esse índice era de 42,6%.
 
O aumento de peso traz uma série de consequências para a saúde dos brasileiros e eleva o número de pessoas vivendo com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão — que estão diretamente ligadas com o ganho de massa corporal. Em um período de 10 anos, o índice de pessoas obesas no Brasil saltou de 11,8% para 18,2%.

A Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) ouviu 53.210 pessoas, por telefone, em todas as capitais do país. As entrevistas foram realizadas de janeiro a dezembro do ano passado e identificou os hábitos alimentares e a prática de atividade física entre os brasileiros. De acordo com os dados colhidos, o diagnóstico de diabetes passou de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016, e o de hipertensão, de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016. Em ambos os casos, o diagnóstico é mais prevalente em mulheres.
 

Jovens obesos

 
Mesmo entre os mais jovens, de 25 a 44 anos, a taxa de obesidade é alta, atingindo 17% da população. Os resultados revelam que, entre as pessoas de ensino superior, a taxa de obesidade e hipertensão são menores. Apenas 14,9% das pessoas com 12 anos ou mais de estudo estão obesas. Entre os que não estudaram, ou cursaram apenas o ensino fundamental, esse índice chega a 23,5%. Já no caso da hipertensão, essa diferença é ainda maior. Entre os que estudaram 12 anos ou mais, 15% estão hipertensos. Já entre os que não estudaram ou possuem apenas ensino fundamental, 41,8% estão com pressão arterial elevada de forma crônica.

O endocrinologista Flávio Cadegiani, da Corpometria, destaca que a renda da população afeta diretamente na alimentação e, consequentemente, interfere na saúde dos brasileiros. "Na pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, é possível notar que as pessoas com maior escolaridade têm menor chance de desenvolver obesidade. Isso ocorre devido à renda dessas pessoas, que podem investir em produtos mais saudáveis, que muitas vezes custam mais caro. A informação sobre uma alimentação saudável também é fundamental. Mas é possível controlar o peso com uma alimentação mais natural e a prática de atividade física, evitando consumir alimentos industrializados. É importante destacar que não existe obesidade saudável", destaca o profissional.
 
Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
 

Alimentação


O estudo também mostra a mudança no hábito alimentar da população. Os dados apontam uma diminuição da ingestão de ingredientes considerados básicos e tradicionais na mesa do brasileiro. O consumo regular de feijão diminuiu 67,5% em 2012 para 61,3% em 2016. E apenas 1 entre 3 adultos consomem frutas e hortaliças em cinco dias da semana.

A aposentada Janette Medeiros, de 75 anos, teve o diagnóstico de hipertensão há três anos, e desde então precisou mudar a rotina alimentar para controlar o problema. “A minha alimentação é zero sal, devido a pressão e complemento os cuidados com o medicamento prescrito e realizo acompanhamento”, afirma. No entanto, Janette afirma que ultimamente vem abrindo mão de alguns cuidados, entre eles a prática de esporte e exames regulares. “Todo ano eu realizava check up, mas já tem uns três anos que não faço. E nos últimos meses deixei de praticar atividades físicas, devido a correria do dia-a-dia”, avalia.

Em 10 anos ocorreu redução no consumo de refrigerante e de sucos artificiais, que afetam o metabolismo e podem proporcionar ganho de peso. O consumo destes tipos de produtos caiu de 30,9% em 2006 para 16,5% no ano passado.

A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição (CGAN) do Ministério da Saúde, Michele Lessa de Oliveira, recomenda que a população evite alimentos industrializados e dê preferência para produtos preparados em casa. “Notamos que pessoas que consomem alimentos industrializados, como pizzas e cachorros quentes, tem maior peso. Já as pessoas que preferem alimentos mais naturais, como arroz, feijão e carnes preparados em casa tem menos propensão a serem obesos.
 
Geralmente a comida da rua, como a servida em fast food, tem mais sal e fazem mal para a saúde. Mesmo que se coma na rua, a recomendação é dar preferência para restaurantes do tipo self service, com uma comida mais caseira. Mesmo com a rotina corrida, o trabalhador deve se preocupar mais com o que come e em ter uma vida saudável, não sedentária e sem estresse”, ressalta.
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