'Sobre a falsidade ou...', um artigo sobre o perigo das fake news

Estamos em plena era das fake news e você provavelmente tem sido mais enganado do que gostaria

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postado em 05/06/2017 12:19

Alessandra Tarantino/AFP


Eu não sei quantas vezes por dia seu aplicativo de mensagens instantâneas chama ou as suas redes sociais lhe requisitam com uma nova atualização. Mas, se você trabalha com informação, assim como eu, é provável que suas notificações sejam tão frequentes quanto uma respiração mais pausada. Também não posso imaginar quantos links você repassa, mas tenho certeza de que a velocidade com que o faz talvez não respeite o tempo necessário para honrar a prudência. Estamos em plena era das “fake news” e você provavelmente tem sido mais enganado do que gostaria. E muito provavelmente tem inadvertidamente enganado também sua família e seus amigos virtuais. Portanto, muita calma nesta hora. Repasse com moderação.

O mundo todo tem discutido, sobretudo os que trabalham com comunicação (não me refiro apenas a jornalismo), a falsidade e a manipulação de informações no mundo cibernético. Textos com cara e jeito de notícia, baseados em fatos muitas vezes reais, que manipulam verdades, criando mentiras. Manipulação de imagens ou associação de fotos e vídeos com fatos que nada a têm a ver com eles fazem com que qualquer um jure veracidade diante de uma matéria falsa. Isso não é apenas um perigo. É um risco de proporções absurdas. Difícil identificar, difícil desmascarar, sobretudo quando há requintes de realidade. Muito mais fácil olhar algo aparentemente absurdo e intuir que aquilo não é fato verídico do que se vê diante de um texto falso, mas com todos os elementos de uma reportagem jornalística presentes.

Uma notícia fake pode virar uma eleição, destruir reputação, reforçar uma cadeia virtual de preconceito e ataques. Lá fora, França, Alemanha e Estados Unidos fizeram e continuam montando forças-tarefas para identificar boatos com cara de verdade em campanhas eleitorais. Nem o papa Francisco escapou: ele apoiaria Donald Trump, uma flagrante mentira – esta não carecia de muito esforço para desmascarar. Só um exemplo. Por aqui, há milhares.

Quantas vezes você já não ouviu a expressão “Mas tá no facebook, tem uma matéria mesmo...”? Por mais verossímil que pareça, desconfie. A própria rede social de Mark Zuckerberg tem estudado as formas de brecar e sinalizar uma notícia falsa, o que tem gerado outras discussões, como, por exemplo, como desmentir e o quanto a divulgação de uma fake news causa releituras e novas versões da própria mentira. Um exemplo? Quando você desmente e o criador do boato diz que é perseguição contra o blog dele ou coisa parecida.

Por essas e por outras, é preciso checagem rigorosa antes de cair na pilha da web. Os meios de informação jornalística devem ser extremamente criteriosos e basear suas apurações em fontes confiáveis. Os usuários da web e consumidores de notícia devem desconfiar de discursos extremamente ideológicos, procurar ambiguidades, entrar nos sites ou blogs de origem, enfim, fazer as vezes de detetives virtuais. Ou correrão o risco de infiltrar meliantes em seus círculos de amigos e disseminar o mal, às vezes sem reparo.

 
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