Presos pilotos de avião interceptado pela FAB que levava 634kg de cocaína

Polícia Federal ainda não divulgou a identidade dos tripulantes e, segundo fontes, eles alegam ter trazido a droga da Bolívia. A informação de que teriam decolado da Fazenda Itamarati do Norte, arrendada pelo Grupo Amaggi, não foi confirmada

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PM Goiás/Fotos Públicas

A Polícia Federal prendeu, no início da noite desta segunda-feira (26/6), o piloto e o copiloto do avião bimotor interceptado pela Força Aérea Brasileira (FAB), na tarde de domingo (25), com 634 kg de cocaína, em Jussara, na região noroeste de Goiás. Segundo fontes da PF, os ocupantes da aeronave dizem que trouxeram a droga da Bolívia e que não pousaram no Brasil antes de terem sido abordados pela FAB. Piloto e copiloto foram transferidos para a Superintendência da PF, em Goiânia, onde chegaram por volta das 20h50. A PF ainda não divulgou as identidades dos dois presos.

Na tarde do domingo, durante diálogo do piloto do caça da FAB saído da Base de Campo Grande, com o da aeronvave interceptada ele teria informado seus supostos pontos de origem e de destino, a Fazenda Itamarati do Norte, no município de Campos Novos do Parecis (MT) e o município de Santo Antônio do Leverger (MT). A propriedade de onde teria partido o avião é arrendada pelo Grupo Amaggi, que tem como proprietário o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.
O Grupo Amaggi publicou nota na tarde de ontem para negar qualquer ligação da holding com o Piper Aztech PTIIJ, fabricado em 1970, de propriedade de Jeison Moreira Souza. Conforme registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião está em situação regular, com aeronavegabilidade normal. Segundo a Secretaria de Segurança do Mato Grosso, não há mandado de prisão contra o dono da aeronave, que aparece como réu em uma ação de cobrança de aluguel, sem despejo, de acordo com a edição de 29 de março do Diário da Justiça estadual.

Na nota, o Amaggi informou que a Fazenda Itamarati dispõe de 11 pistas próprias para o uso de aeronaves de operação agrícola, úteis na pulverização de agrotóxicos em lavouras. Os pontos de pouso e de decolagem se distribuem por área com 54,3 mil hectares — o equivalente a 76 mil campos de futebol — e, conforme informa a holding, esses locais não contam com vigilância permanente.

Por meio de seu perfil em uma rede social, o ministro Blairo Maggi postou que “está acompanhando as investigações da FAB sobre o local de decolagem da aeronave”. Disse que, quando houver uma confirmação, ele informará. Ele comentou ainda que a “fazenda é extensa e vulnerável à ação do tráfico internacional”.

Abordagem

A aeronave com a cocaína foi acompanhada por caça da FAB durante 82 minutos, das 12h02 às 13h29. Nesse período, o piloto cumpriu o protocolo previsto no Decreto nº 5.144, de 16 de julho de 2004, que orienta sobre o policiamento do espaço aéreo brasileiro — a norma prevê o abate só quando toda a rotina foi cumprida. Depois de pedidos para alteração na rota, de uma descida intencionalmente frustrada do Aztech no aeroporto de Aragarças, com arremetida repentina, o Super Tucano A29 disparou rajada de metralhadora para mostrar poder de fogo, sem a intenção de atingir o alvo. Finalmente o Piper atingiu o solo de uma estrada vicinal, a seis quilômetros da zona urbana de Jussara (GO).

A Polícia Militar de Goiás (PM/GO) chegou ao local da aterrissagem forçada, depois das 14h, por meio de um helicóptero e não encontrou a tripulação. Mas dentro do avião estava a cocaína, carga que foi entregue ontem na Superitendência da PF, em Goiânia.

A primeira vez que a FAB fez a abordagem de uma aeronave com o uso de tiros foi em 3 de junho de 2009, uma quarta-feira, na região de Cacoal, em Rondônia, numa região próxima à Bolívia. Depois do cumprimento de toda a rotina legal, que prevê seis medidas antes dos tiros de aviso, o militar brasileiro disparou duas rajadas de metralhadora e, pelo rádio, ouviu súplicas em espanhol. Finalmente, o avião suspeito pousou numa estrada de terra e seus dois ocupantes fugiram. Na sexta-feira daquela semana, ambos foram presos em Pimenta Bueno (RO).

Em 2015, durante uma operação de interceptação em região de fronteira, um caça da FAB fez a abordagem a um avião suspeito. O piloto militar seguiu todo o protocolo legal, mas o responsável pela outra aeronave não cumpriu as ordens de mudança de rota nem aceitou pousar. Quando a aeronave tomou o rumo do Paraguai, antes de cruzar a fronteira, foi alvejado, mas, mesmo assim, conseguiu fazer a fuga. Meses depois, esse mesmo avião foi encontrado abandonado em Paranaguá (PR).

A perseguição aérea do último domingo é resultado da Operação Ostium, que reúne a Força Aérea Brasileira, a Polícia Federal e as instituições policiais das áreas onde ocorrerem abordagens. O objetivo dessa iniciativa é reforçar a vigilância do espaço aéreo da fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, com o combate a voos irregulares que possam ter relação com crimes, como o narcotráfico. Essa ação coordenada, a princípio, seguirá até o fim deste ano, com a instalação temporária de radares móveis em cidades de fronteira e reforço nas bases aéreas.
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José
José - 27 de Junho às 10:18
E agora José? De quem é a droga? Será que vai acontecer o mesmo que aconteceu com o helicóptero cegonha de Minas Gerais que ninguém foi responsabilizado como proprietário da droga? Essa ousadia é consequencia da impunidade dos cabeçudos que compra tudo e todos para não serem punidos.