Estudantes são ameaçados por dívidas de jogos esportivos online

Polícia Civil começou investigação a partir de denúncia de adolescente com dívida de mais de R$ 2 mil

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postado em 28/11/2017 08:29

Shilton Araújo/Esp. DP
 
Estudantes de pelo menos dez escolas particulares do Recife viraram alvo de ameaças após se envolverem em dívidas de jogos esportivos de apostas on line dentro das unidades de ensino. O caso veio à tona após os pais de um dos adolescentes ameaçados procurarem o Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA). O garoto foi intimidado após acumular uma dívida de mais de R$ 2 mil. Os jogos esportivos de apostas on line são praticados no mundo inteiro e os sites no Brasil costumam ter provedor no exterior. A prática de jogos de azar no Brasil é considerada contravenção penal.

O esquema funciona com base em três participantes: o aliciador, que é o adulto fora da escola; o cambista, o aluno que oferta as apostas aos colegas; e o banqueiro, que capta o cambista e faz ligação entre ele e as bancas. As somas das apostas são preocupantes porque as denúncias envolvem adolescentes do Ensino Médio. Em apenas uma escola, por exemplo, foram arrecadados em uma semana R$ 50 mil.

Segundo o delegado Nehemias Falcão, sub-chefe da Polícia Civil, o cambista e o banqueiro são estudantes remunerados por esses serviços, mas é o aliciador quem ganha a maior parte do dinheiro. Se o aluno não tem naquele momento a verba para apostar, o aliciador pode até apostar por ele para depois cobrar. “Tem caso de estudante voltando para casa sem celular e dizendo que foi roubado, quando na verdade entregou o aparelho para pagar dívidas”, explicou o delegado.

As negociações acontecem geralmente pelo WhatsApp, o que facilita a identificação dos acusados adultos e adolescentes. O delegado apelou às famílias para procurarem o DPCA para prestarem queixas e assim ajudarem na conclusão do inquérito, aberto no último dia 22. Pais e alunos já foram ouvidos, mas as investigações ainda estão em andamento. Por enquanto os nomes das escolas estão sendo mantidos em sigilo.

“Não se trata de alunos brincando. São adultos usando os adolescentes para ganhar dinheiro”, disse o delegado. Os crimes atribuídos aos adultos são de corrupção de menores, pois usa adolescentes para a prática criminosa; induzimento à especulação, já que o adolescente sem maturidade é induzido à prática de jogos de azar e apostam mesmo sem recursos; e associação criminosa.
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