PF faz novas buscas em investigação de fraudes na Saúde em Tocantins

Operação Marcapasso investiga fraude em licitações no Tocantins para compra de órteses, próteses e materiais especiais. Ação de hoje mira núcleo criminoso em Araguaína

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postado em 05/12/2017 08:47 / atualizado em 05/12/2017 11:31

Marcelo Camargo/Agência Brasil


A investigação de um esquema de fraude em licitações da área de Saúde em Tocantins coloca a Polícia Federal (PF) nas ruas novamente nesta terça-feira (5/12). A segunda fase da Operação Marcapasso cumpre 17 mandados judiciais, expedidos pela 4ª Vara Criminal Federal de Palmas (TRF1), em Palmas (TO), Araguai%u0301na (TO) e Bele%u0301m (PA). Devem ser cumpridas 4 ordens de prisão temporária, 4 de condução coercitiva, quando a pessoa é levada à força para prestar esclarecimentos, 2 medidas cautelares diversas de prisa%u0303o e 7 mandados de busca e apreensa%u0303o. 

Os investigados devem responder à Justiça, na medida de suas participações, por corrupção ativa e passiva, fraude a licitação, associac%u0327a%u0303o criminosa, dentre outros. Durante as investigações da Operação Marcapasso, a PF verificou que pacientes supostamente foram submetidos a diversas cirurgias cardiológicas sem necessidade. O objetivo seria a utilização de órteses, próteses e materiais especiais adquiridos de forma fraudulenta e com superfaturamento. 

A decisão da Justiça que autorizou mandados de prisão, busca e apreensão da primeira fase, apontava que os próprios médicos passavam para a empresa fornecedora uma planilha com a quantidade de cirurgias realizadas, materiais utilizados e o valor mensal a ser recebido como propina. Eram pagos, mensalmente, a média de R$ 80, R$ 90 e até R$ 100 mil para três cardiologistas, segundo a delação dos empresários Antônio Bringel e Cristiano Maciel, sócios da Cardiomed Comércio e Representação de Produtos Médicos e Hospitalares LTDA-EPP.

De acordo com a decisão da Justiça à época, quando era utilizado alguns dos materiais em procedimentos cirúrgicos emergenciais, a empresa notificava a Cardiomed, que então emitia a nota fiscal. O preço dos materiais era superfaturado. A quadrilha ainda emitia, junto à nota fiscal, um boleto para pagamento com desconto. O valor era exatamente o da propina repassada para a Intervcenter, centro médico onde as cirurgias eram realizadas. O dinheiro ilícito era repartido entre os sócios.

Entenda

A investigac%u0327a%u0303o teve ini%u0301cio quando os so%u0301cios da empresa Cardiomed Comércio e Representação de Produtos Médicos e Hospitalares LTDA-EPP foram presos em flagrante por terem, na qualidade de proprieta%u0301rios da empresa, fornecido a%u0300 Secretaria de Sau%u0301de do Estado do Tocantins produtos destinados a fins terape%u0302uticos ou medicinais cujos prazos de validade de esterilizac%u0327a%u0303o se encontravam vencidos.

A investigação revelou um vasto esquema de corrupção para fraudar licitações no estado com o direcionamento dos processos. “O esquema engendrado possibilitava o fornecimento de vantagens ili%u0301citas a empresas, me%u0301dicos e empresa%u0301rios do ramo, bem como a funciona%u0301rios pu%u0301blicos da a%u0301rea de sau%u0301de”, afirmou a PF em nota. Segundo o órgão, o esquema de corrupção foi verificado tanto em licitações do Sistema Único de Saúde (SUS), feitas pela Secretaria Estadual da Saúde, quanto nos pagamentos realizados pelo PlanSaúde, que é o plano de saúde do servidor público estadual.

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