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Estado de Minas

Grifes são flagradas utilizando trabalho escravo de imigrantes bolivianos

Imigrantes bolivianos recebiam, aproximadamente, R$ 4,23, para costurar peças que eram vendidas por até R$ 590,00


postado em 19/12/2017 20:01 / atualizado em 19/12/2017 20:56

As roupas da Animale são vendidas a até R$ 590, mas os trabalhadores da fábrica da marca em São Paulo recebiam apenas R$ 4,23 para costurar cada peça(foto: Animale/Divulgação)
As roupas da Animale são vendidas a até R$ 590, mas os trabalhadores da fábrica da marca em São Paulo recebiam apenas R$ 4,23 para costurar cada peça (foto: Animale/Divulgação)


Fiscais do trabalho encontraram dez imigrantes bolivianos em condições de trabalho análogo à escravidão em três oficinas de costura na capital paulista. Eles faziam jornadas de mais de 12 horas por dia costurando roupas para as grifes de luxo Animale e A.Brand, ambas do grupo Soma.  Segundo os fiscais, os trabalhadores recebiam cerca de R$ 4,23 por peças que eram vendidas por até R$ 590,00.

Os bolivianos eram submetidos a jornadas exaustivas, das 7h às 21h, por vezes até as 22h00, com intervalo de apenas uma hora, e trabalhavam entre baratas e outros insetos. Os prédios também estava com instalações elétricas decadentes e apresentavam risco de incêndio. Segundo o coordenador da operação e integrante do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo da SRT-SP, auditor-fiscal Luís Alexandre Faria, todos esses elementos juntos configuram trabalho em condições análogas à escravidão, crime contra o trabalhador.

Os trabalhadores receberam R$ 86 mil em indenizações trabalhistas, foram encaminhados ao Centro de Referência de Atendimento para Imigrantes da capital paulista e estão recebendo Seguro Desemprego. "Eles também receberão orientação e encaminhamento para a inserção em postos de trabalhos regulares", informa o auditor-fiscal.

Com as duas grifes, subiu para 37 o número de marcas de roupa no Brasil envolvidas na exploração de mão de obra análoga à escravidão nos últimos oito anos, de acordo com a ONG Repórter Brasil.
 

Marcas se defendem


A Animale e a A.Brand usaram o Facebook para justificar a operação. As marcas esclareceram que não compactuam com a utilização de mão de obra irregular em suas cadeias de produção. "Todos os seus fornecedores assinam contratos em que se comprometem a cumprir a legislação trabalhista vigente e a não realizar a contratação de trabalhadores nessas condições", afirmaram em comunicado.

Segundo as duas marcas, os valores pagos aos fornecedores diretos são "exponencialmente superiores" aos R$ 5 relatados nos meios de comunicação. 

"As marcas lamentam que tenham sido associadas aos tristes fatos, pelo descumprimento da legislação trabalhista por parte de um fornecedor e reiteram que não compactuam com a utilização de mão de obra irregular. Ressaltam ainda, que em hipótese alguma, tiveram contato com os referidos trabalhadores via whatsapp ou qualquer outro meio de comunicação bem como sequer sabiam da existência das referidas oficinas", dizem em nota.

A Animale vende cerca de 800 mil peças por ano em suas 70 lojas físicas e em 574 pontos de venda de 19 estados do país. Seu faturamento anual é de cerca de R$ 550 milhões. 

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