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Estado de Minas

Mulher acusa garçom de assédio: 'enfiou os dedos dentro da minha roupa'

Funcionário de uma balada no Buritis, em MG, teria colocado a mão dentro da blusa e tocado os seios da vítima sob pretexto de procurar um cartão de consumação


postado em 15/01/2018 11:41 / atualizado em 15/01/2018 12:35

A vítima comemorava aniversário naquela noite com cerca de 60 amigos(foto: Divulgação)
A vítima comemorava aniversário naquela noite com cerca de 60 amigos (foto: Divulgação)

 
Uma jovem de 22 anos acusou um garçom de tocar nos seios dela sob o pretexto de procurar um cartão de consumação, durante uma festa na madrugada do último sábado, em uma boate no Buritis, Região Oeste de Belo Horizonte. A denúncia de assédio, divulgada em redes sociais, rendeu o afastamento do garçom. O post dela no Facebook, até a manhã desta segunda-feira, já havia engajado mais de duas mil pessoas, entre compartilhamentos e reações. 
 

"Muitas mulheres próximas a mim e que eu não conheço, de todas as partes do Brasil, me mandaram mensagens contando que já sofreram assédio, mas não tiveram coragem de denunciar. Muita gente abraçou a causa e isso realmente me deixa muito feliz,” contou a estudante Paula Silva, em entrevista ao Estado de Minas.

A vítima, que registrou boletim de ocorrência na Polícia Militar, comemorava aniversário naquela noite com cerca de 60 amigos que foram à boate a convite dela. Segundo relato de Paula à PM e também compartilhado na internet, o assédio teria ocorrido por volta de 5h, quando ela foi ao bar do Night Market Rooftop buscar três garrafas de água mineral. 

Ao solicitar as bebidas ao garçom, o funcionário pediu que a jovem lhe entregasse o cartão de consumação. No entanto, a vítima se confundiu e entregou um cartão de crédito. O garçom, então, explicou que era preciso encontrar o cartão da casa: sem ele, não era permitida a entrada dos clientes.

Ainda de acordo com a Polícia Militar, a jovem alegou ao funcionário que o cartão estava com o irmão dela, que o teria usado para pegar duas vodkas, brinde da boate a Paula pela comemoração do aniversário. Segundo ela, “o homem falou para procurar direito que provavelmente estava na minha bolsa, ou então: 'aqui!' Foi o momento que esse infeliz enfiou dois dedos dentro da minha roupa tocando nos meus seios”,  relatou a jovem, que alega ter ficado sem reação após ter sido assediada. 

“Naquele momento por 10 segundos, congelei, não falei nada e virei as costas. Nessa fração de segundos, dei por mim do que havia acontecido! Fui assediada dentro de uma boate tão renomada em Belo Horizonte, o Night Market! Voltei e gritei com o garçom perguntando se ele tinha noção do que ele havia feito, e o mesmo apenas assustou e não me respondeu. Voltei a gritar e bater no balcão perguntando se ele seria homem de falar, e a única coisa que ouvi foi um: ‘não fiz nada’ em tom de total desespero!”

Quando a jovem começou a indagar o garçom, ela diz, segundo a PM, ter sido abordada por um homem que se identificou como o dono da boate. “Não me deu suporte algum, pensando apenas na imagem do Night Market, alegando que a situação não aconteceu, me deixando exposta a um assédio sexual, logo uma situação gritante, grave e corriqueira que vem sendo tão debatida e pouco combatida.”

Paula pediu ao responsável pela boate para que ele a levasse à sala em que ficam os registros das câmeras de segurança para que ela mostrasse o ocorrido e registrasse a ocorrência. Quando ela solicitou as imagens, o homem deixou o local e foi verificar os registros, mas retornou minutos depois e disse que os vídeos estavam “foscos” e que, por isso, não era possível enxergar o que ocorreu. 

Ainda conforme a denúncia da vítima, o homem mudou a versão quando percebeu que outros clientes se incomodaram com a situação e alegou “não ter visto nada nas câmeras que eram todas em HD”. De acordo com a vítima, seguranças da casa de show a orientaram a procurar uma delegacia. 

Ela denuncia que, enquanto conversava com os seguranças, outros funcionários tiraram o garçom do balcão e levaram o homem para lugar inacessível aos clientes. A Polícia Militar foi acionada e conversou com o suposto dono da boate e conseguiu localizar o garçom e conduzi-lo à delegacia. 

Todos os envolvidos foram encaminhados para o registro da ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. 

Boate e garçom se defendem

Na versão do garçom W.F.C., de 24 anos, à polícia, a mulher se aproximou do balcão por volta das 5h para pedir as três garrafas de água. Foi o momento em que ela  lhe entregou o cartão de crédito e ele informou que precisava do cartão entregue pela casa para registrar o pedido. "W.F.C.  a orientou de que todos os clientes recebem o cartão e que talvez ela teria feito alguma confusão", consta no Boletim de Ocorrência. E, em seguida, afirmou que o cartão deveria estar em uma bolsa.

Ele alegou à PM que passou a atender outro cliente enquanto ela procurava o cartão. Após o distanciamento, de acordo com a versão dele, ela voltou para dizer "você tem noção do que fez?". O  namorado da vítima chegou e os dois gritaram e começaram a insultá-lo, ainda segundo W.F.C. O namorado teria cuspido no garçom. Foi então que ele se retirou do local. "Ele fala que não entrou em qualquer contato físico", afirma o BO.

As imagens das câmeras de segurança não confirmaram a versão da jovem, de acordo com o gerente da casa M.R.B, de 29, que também compareceu à delegacia. Ele contou que estava em uma área próxima à cliente, mas que não presenciou o momento do atendimento. Ele foi chamado depois que a "confusão" começou. Foi então que a vítima solicitou que as as imagens do circuito interno de segurança  fossem vistas.
 
Depois da repercussão do caso nas redes sociais, o Night Market Rooftop se posicionou, via Instagram. "Enfatizamos que repudiamos todo o tipo de violência, desrespeito e preconceito. Nossa história não condiz com nenhum ato de violência", informou.
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"Nossa cliente alega ter sido agredida por um colaborador, que nega as acusações. Todas as pessoas envolvidas direta e indiretamente foram ouvidas e o material de vídeo apresentado aos agentes competentes pela investigação. O atendente do bar está afastado de suas atividades até que o caso seja elucidado," diz a nota. 
 
Inconformada, Paula pede que, ao sofrerem assédio, as mulheres denunciem o crime: “Meninas, não se calem! Por mais maçante que seja o processo, a paz no coração de ter feito a nossa parte é a melhor recompensa. Estamos vivendo uma realidade assustadora onde um estabelecimento renomado não dá apoio algum a uma cliente que foi vítima de assédio sexual e tentam acobertar um criminoso,” desabafou.
 
A Polícia Civil foi procurada e informou que na noite da denúncia vítima e suspeito foram ouvidos. Ainda nesta semana, os envolvidos serão intimados e devem prestar depoimento. Segundo a corporação, as imagens das câmeras de segurança da boate serão solicitadas e anexadas ao inquérito.  

Depois da denúncia

De acordo com Paula, uma mulher que se identificou como dona da boate ligou para a jovem na tarde desse domingo se solidarizando à denúncia de assédio. Porém, Paula salientou que a ligação "não muda nada" se a denúncia não for esclarecida e os responsáveis punidos. A vítima ainda diz que o contato foi uma "afronta, principalmente depois de contratarem um advogado para me acusar e do gerente ter ficado contra mim o tempo todo na delegacia," explicou.  
 
Durante todo o registro do boletim de ocorrência, a vítima ficou separada do garçom e, segundo ela, o homem permaneceu de cabeça baixa no período em que permaneceram na delegacia. "Parece que ele não é um garçom, tem hora que eles (responsáveis pela boate) falam que é um freelancer, depois dizem que é um funcionário...  eles mentem o tempo todo e mudam as versões," disse a estudante que não pretende mais frequentar a boate. 
 
A reportagem entrou em contato com a mulher citada como proprietária do local, mas ela não quis dar entrevista. 
 
 * Sob supervisão do subeditor Fred Bottrel, do Estado de Minas

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