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Estado de Minas

"Corrupção também é uma forma de violência", diz cardeal de Brasília

Cardeal Dom Sérgio da Rocha, bispo de Brasília e presidente da CNBB, lançou a Campanha da Fraternidade nesta quarta-feira (14/2). Igreja debate a superação da violência e inclui corrupção como um dos males


postado em 14/02/2018 13:30 / atualizado em 14/02/2018 13:59

O presidente do Comitê Brasileiro de Justiça e Paz, Carlos Moura, dom Leonardo Steiner, cardeal Sérgio da Rocha, ministra Cármen Lúcia e deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ) no lançamento da Campanha da Fraternidade 2018(foto: Natália Lambert/Esp. CB/D.A Press)
O presidente do Comitê Brasileiro de Justiça e Paz, Carlos Moura, dom Leonardo Steiner, cardeal Sérgio da Rocha, ministra Cármen Lúcia e deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ) no lançamento da Campanha da Fraternidade 2018 (foto: Natália Lambert/Esp. CB/D.A Press)


Diante dos mais de 60 mil assassinatos por ano que são cometidos no Brasil e em um ano que o povo brasileiro escolherá novos governantes, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escolheu refletir sobre a violência neste período de quaresma. Com o tema “Fraternidade e superação da violência” e o lema “Vós sois todos irmãos”, a Igreja levará aos fieis um debate sobre as diversas formas de violência que a sociedade enfrenta, entre elas, a corrupção e a retirada de direitos dos mais vulneráveis.

Entre as diversas formas de violência citadas no texto-base, a campanha também destaca a corrupção. “A corrupção é uma forma de violência e ela mata por isso precisa ser combatida. Uma vez que quando se desvia dinheiro público está se negando ao povo o direito à educação, à saúde, à segurança pública”, afirmou o presidente da CNBB, o cardeal Sérgio da Rocha, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade 2018, na manhã desta quarta-feira de Cinzas.

O cardeal foi enfático ao repudiar projetos que pretendem revogar o Estatuto do Desarmamento. “É um grande equívoco achar que superamos a violência recorrendo a mais violência. Por isso, insistimos que a atitude deve ser de não violência. Não podemos favorecer o comércio de armas e a facilidade das pessoas terem acesso às armas. Queremos responder ao problema da violência com a justiça social e com fraternidade nos seus diversos níveis”, acrescentou o cardeal Sérgio da Rocha.

O secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, também aproveitou o lançamento da campanha para fazer críticas às reformas propostas pelo governo, sem citar quais especificamente. “O texto-base não aborda isso diretamente, aborda a corrupção, mas é claro que são violências. Até o carnaval mostrou a questão da violência da corrupção e das chamadas reformas sem ouvir o povo, sem ouvir a população, sem ouvir os aposentados. Simplesmente, feitas de cima pra baixo, em vista do mercado. De repente, um grupo de pessoas se acha no dever moral de salvar o Brasil. Eu duvido um pouco, inclusive, que tenha moral para isso, dado que existem processos e questionamentos no meio jurídico”, comentou.

Paz


Durante o lançamento, uma mensagem que prega o amor ao próximo e a paz do papa Francisco foi lida. “Sejamos protagonistas da superação da violência fazendo-nos arautos e construtores da paz. Uma paz que é fruto do desenvolvimento integral de todos, uma paz que nasce de uma nova relação também com todas as criaturas. A paz é tecida no dia-a-dia com paciência e misericórdia, no seio da família, na dinâmica da comunidade, nas relações de trabalho, na relação com a natureza”, ressalta trecho do texto.

Presente à cerimônia, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, também pregou o amor como solução, o enxergar o próximo como aliado e não inimigo e sugeriu um caminhar de “mãos dadas e não de punhos cerrados”.

“Que sociedade emanamos quando a desconfiança e a violência é o que se prega e o que, pelo menos, se põe como a semente que pode florescer fazendo do outro não o seu irmão, mas alguém que é preciso combater. Quando outro é inimigo e não parceiro, a desconfiança pode marcar o pensamento e isso reverbera num sentimento que pode tomar conta de forma perigosa para uma sociedade que tem marcos civilizatórios de pacificação“, disse a ministra fazendo citações a Chico Buarque e ao filósofo Thomas Hobbes.

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